Famílias vão entrar na Justiça pedindo indenização por vacina
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terça-feira, 24 de novembro de 1998
Adriana Ribeiro 
Familiares das supostas vítimas da vacina tríplice viral, aplicada na população jovem de nove municípios da Grande Curitiba durante a campanha contra o sarampo, estão se organizando para entrar na Justiça com pedidos de indenização. Um dos líderes do grupo é o professor Celso Ribeiro Soares, pai da estudante Desirée Ribeiro Soares, 19 anos, que ficou cinco dias internada no Hospital Evangélico, na capital, depois de ter apresentado meningite e caxumba, como reações ao medicamento.
Ao contrário do que estava determinado, a Secretaria de Estado da Saúde não entregou ontem ao Ministério Público as explicações sobre a vacinação, que provocou reações adversas na população. Ela pediu a prorrogação do prazo para hoje de manhã.
Celso Ribeiro explica que, desde que sua filha foi hospitalizada, já havia pensado em mover uma ação contra o Estado. Como no prédio onde mora ele encontrou outras pessoas com o mesmo problema, resolveu formar um grupo para fortalecer a ação. Eles dizem que as reações eram esperadas, mas o que aconteceu estava fora dos planos da população, diz.
Assim como Ribeiro, a família de Melissa Tatiana Soares, 18 anos, também está procurando um advogado para entrar na Justiça com um pedido de reparação dos danos causados pela vacina. Com uma meningo-encefalite (inflamação da membrana que envolve o cérebro), Melissa está há 13 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. Anteriormente ela já havia sido hospitalizada em outros dois hospitais da cidade. Melissa chegou a entrar em coma por causa da doença.
Leila Mara Soares, irmã de Melissa, diz que a família está encontrando dificuldades de contratar um advogado, por causa do custo. Todos os que nós contactamos querem pagamento antecipado, mas não temos o dinheiro porque meu pai está desempregado, conta.
Celso Ribeiro diz que o Estado deve ser responsabilizado pela postura que adotou. Para ele, se as autoridades sabiam da possibilidade de reações, elas deveriam determinar que todas as pessoas fossem alertadas e orientadas a procurar determinados hospitais, que já deveriam estar credenciados para atender os casos.


