Famílias usam bolsa-escola para pagar barracos
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terça-feira, 14 de maio de 2002
Chiara Papali Reportagem Local 
A Secretaria de Ação Social de Londrina vai exigir dos moradores dos assentamentos Santa Fé e Monte Cristo (zona leste), beneficiados pelo bolsa-escola, que apresentem nota fiscal e recibo de tudo o que for gasto com o dinheiro do programa.
O objetivo, segundo a secretária Maria Luiza Rizotti, é avaliar como as famílias gastam o recurso e também inibir possíveis extorsões. Na última sexta-feira, o padre César Braga, da Pastoral Carcerária, denunciou ao comando do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), que as famílias do Santa Fé e do Monte Cristo têm que pagar metade do benefício para líderes locais supostamente ligados ao tráfico de drogas. As famílias recebem do bolsa-escola municipal R$ 100 por mês (por família), ou R$ 15 por criança do programa federal.
Ontem, a secretária Maria Luiza disse que a informação que tem é que o dinheiro estaria sendo usado para pagar barracos. Faz parte do programa melhorar as condições de vida do beneficiado, mas a desconfiança é que algumas pessoas estejam se aproveitando da situação da outra que recebe o bolsa-escola. É possível que haja um oportunismo de quem vendeu o barraco, disse.
A Folha apurou que é como se o pagamento do barraco ficasse vinculado ao recebimento do bolsa-escola, uma forma indireta de cobrança, independentemente do recebimento de outra remuneração. No Santa Fé, nenhuma família confirmou as denúncias. O medo é de represálias. Ameaças no bairro, conforme apurado pela Folha, significam fogo na casa ou mesmo a morte.
Com a apresentação de notas fiscais e recibos, Maria Luiza acredita que será possível avaliar as condições de pagamento desse barraco e o valor pago. Vamos avaliar se é justo e orientar as famílias, afirmou. A avaliação de recibos e notas fiscais já foi feita pela secretaria de Ação Social com famílias do Jardim Maracanã (zona oeste), no começo do ano passado, durante três meses. Nos próximos meses, a avaliação será feita também no Jardim São Jorge (região oeste).
Segundo o comandante do 5º BPM, Coronel Rubens Guimarães, que recebeu a denúncia, é difícil agir sem uma denúncia formal, sem uma vítima de extorsão. Entramos em contato com a polícia civil para que ela possa abrir inquérito e intimar as pessoas envolvidas. Outra proposta é a atuação de segmentos sociais e religiosos nos bairros para cadastramento das famílias e melhor conhecimento de sua realidade, disse. O delegado do 2º Distrito Policial (DP), José Arnaldo Peron Martins, vai intimar o padre César Braga para prestar depoimento sobre a denúncia. Ontem, o padre não foi localizado pela reportagem da Folha.


