As famílias que viviam nas margens do Rio Iguaçu foram transferidas pela Copel para locais de reassentamento. Em troca das terras acidentadas, onde era difícil produzir em larga escala, as famílias receberam áreas planas e de alta fertilidade. Elas próprias escolheram as áreas em outros municípios.
Ao longo do tempo, os agricultores promoveram o desmatamento das margens do rio e sobrou uma vegetação muito pobre, praticamente sem matas nativas. Resta, portanto, a vida animal, que deve ser o centro das atenções na fase do enchimento, com a operação de salvamento de espécies.
Invariavelmente as barragens estão associadas à perda da diversidade biológica, já altamente comprometida no País. O Brasil tem a maior variedade de animais do mundo, ao mesmo tempo é o segundo (atrás da Indonésia) em número de aves e o quarto em número de mamíferos sob risco de extinção.
Na fase de preparação para o enchimento, biólogos e outros especialistas de vários estados, reunidos no canteiro de obras de Salto Caxias, insistiram na necessidade de que os impactos sobre as formas de vida sejam cada vez mais minorados.
‘‘Por melhores que sejam os projetos ambientais, por menores que sejam os impactos, nenhuma barragem serve como modelo’’, alertou o agrônomo Paulo Bezerra Neto, do Núcleo de Pesquisa e Conservação da Fauna. Paulo acompanha uma barragem vigorosamente criticada por ambientalistas, a ‘‘Sérgio Mota’’, construída pela Cesp no Rio Paraná, entre São Paulo e Mato Grosso do Sul. Segundo o agrônomo, barragens só deveriam ser construídas em pontos onde, pelas condições geográficas do terreno, os impactos ‘‘efetivamente fossem mínimos’’.
Os especialistas observaram que animais submetidos a operações de resgate no enchimento de reservatórios são dissociados de seu habitat, o que compromete claramente a biodiversidade. Para a bióloga Beloni Martere, da Fundação de Assistência Técnica e Proteção do Meio Ambiente de Santa Catarina, entre outras consequências da redução da diversidade das espécies pode ocorrer o acasalamento entre animais de uma mesma família. ‘‘A consanguinidade pode levar a doenças e dizimar espécies em definitivo’’.
As doenças genéticas e a redução das florestas preocupam também a organização não-governamental Associação Mata Ciliar, que atua com a Universidade de São Paulo e coordena o Plano de Manejo para Pequenos Felinos Brasileiros. O pesquisador Jean Carlos Ramos Silva, que esteve recentemente no Oeste paranaense, disse que até agora, em todo o País, o Plano já cadastrou 370 animais, de oito espécies de felídeos. Destas, sete estão em risco flagrante de extinção. São os casos da onça-pintada, suçuarana e jaguatirica.
A preocupação com a fauna em áreas impactadas considera a previsão de que mais 200 barragens sejam construídas no País, com alagamentos que afetarão 10 milhões de animais de diferentes espécies. (P.P.)

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