Famílias trocam barracos por casa nova
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terça-feira, 02 de julho de 2002
Sid Sauer<br> Equipe da Folha 
Campo Mourão - As primeiras 29 famílias beneficiadas pelo projeto de desfavelamento deixaram ontem de manhã os barracos da Favela São Francisco de Assis, na asa oeste de Campo Mourão. Os barracos foram desmanchados logo em seguida. Mais 12 famílias vão deixar o local nos próximos dias, completando a primeira etapa de 41 casas. Com 250 barracos e mais de mil moradores, a São Francisco de Assis é a maior favela de Campo Mourão.
''Agora melhorou bastante. Lá a gente estava no pior'', disse a dona de casa Leni Lima da Costa, 38, que morou na favela durante 20 anos. ''Criei todos os meus filhos na favela'', contou. Leni tem cinco filhos entre 15 e 22 anos. Todos moravam num barraco de um único cômodo. ''Nosso barraco era coberto com uma pedaceira de eternit e chovia muito dentro'', relatou. A mãe de Leni, dona Francisca, 75, também foi uma das beneficiadas pelo programa.
As casas do desfavelamento são bastante simples. Não há divisórias internas nem forro e o piso é em cimento bruto. Mesmo assim, os moradores comemoram a mudança. ''Tá mil vezes melhor'', disse Valdenice de Oliveira, 22, que morava há seis anos em um barraco de lona. ''Agora até para arrumar serviço vai ficar mais fácil. Ninguém dá emprego para quem mora na favela''. Valdenice tem quatro filhos entre 2 e 7 anos. Ela terá que pagar uma prestação de R$ 20,00 para a Cohapar.
Esta é a terceira vez que um projeto tenta acabar com a favela São Francisco de Assis. Nas outras duas vezes os barracos foram reocupados mesmo depois da construção de conjuntos habitacionais em áreas vizinhas. Desta vez, os barracos foram demolidos após a saída das famílias. O sistema deu certo na asa leste da cidade, onde dois conjuntos substituíram 144 barracos de favelas menores. O Tiro de Guerra ajudou ontem na mudança das 29 famílias.
A prefeitura vai plantar árvores na área onde estavam os barracos para evitar novas ocupações. O plantio também obedece a legislação ambiental, uma vez que a favela fica às margens do Rio Quilômetro 119, numa área onde deve existir apenas a mata ciliar. As novas casas, de 29 metros quadrados, ficam em lotes isolados nos jardins Pio XII e Maria Barletta (asa oeste). Os terrenos foram doados pela prefeitura e as casas construídas pela Cohapar.


