Israel Reinstein
De Curitiba
Mauro FrassonDiscriminaçãoQuintilhiano: ‘‘Algumas pessoas olham desconfiadas quando vêem um negro’’A visão sobre a sexualidade dos jovens de Curitiba é conflitante. Por um lado, um grupo consegue discutir o assunto em família e obter a autorização de seus pais para manter uma relação sexual em seus próprios quartos. No entanto, a outra face mostra um comportamento retrógrado, com pais evitando o diálogo, optando por proibir qualquer conversa nesse sentido. Essa dicotomia de comportamento está registrada na pesquisa ‘‘Juventude, Violência e Cidadania – O caso de Curitiba’’, patrocinada pela Unesco (órgão das Nações Unidas para infância e juventude) e a Secretaria Estadual de Educação.
A amostragem levantou a opinião de 900 jovens entre 14 a 19 anos, de diversas classes sociais, e 400 profissionais de educação da cidade, buscando traçar um perfil do jovem curitibano. Os dados demonstraram também que esse jovem segue modelos de comportamento de suas famílias, permitindo-se a idéia de segregação (separar negros e pobres de brancos e ricos) e atos violentos (como agredir homossexuais e prostitutas).
A pesquisa aponta que o jovem tem compreensão dos métodos preventivos de gravidez e doenças e sabe a importância deles para a prevenção da Aids e outras doenças. Porém, ainda assim, os níveis de gravidez precoce permanecem estáveis, atingindo em torno de 20% da população feminina entre 13 e 19 anos, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. ‘‘O fato de saber não impossibilita que ele exagere na auto-confiança ou que consiga reverter esse conhecimento em experiência de vida’’, avalia a coordenador do programa de gestantes adolescentes da Prefeitura de Curitiba, Andréia Carolina Ribeiro.
De acordo com levantamento, os jovens de classe mais pobres são os que mais praticam sexo. A liberalidade da sexualidade é inversamente proporcional à renda dos entrevistados. ‘‘Mas os problemas com gravidez são comuns em todas as faixas sociais e econômicas’’, alerta Andréia Ribeiro.
Outro ponto é que até os 16 anos predomina a virgindade entre os estudantes. O ponto de virada é aos 17 anos, quando salta de 39,3% para 55,2% o número daqueles que já mantiveram uma relação sexual. Desses que mantiveram uma relação, quase 30% dos meninos puderam levar suas namoradas para dormir em seus quartos, sendo que entre as mulheres este percentual cai para pouco mais de 13%. Na outra ponta, há ainda famílias que proíbem conversas sobre sexo.
O jovem prefere o preservativo que é usado por 40,1% daqueles que praticam o sexo. A pílula é utilizada por 15,5%, seguida pela tabelinha (0,6%) e interrupção do ato sexual (0,1%). Mesmo com 93% dos jovens, que sabem da importância da prevenção, há um grupo de 2,7% que não usam nenhum método preventivo.
Quando o assunto é preconceito e discriminação, os jovens seguem um modelo similar aos dos pais. O preconceito contra homossexuais e negros existe, mas é restrito a um grupo pequeno. Os homossexuais são alvos de agressões de 5,3% dos jovens. Já os negros são excluídos por quase 30% dos jovens. Essa segregação é sentida fortemente por estes grupos, que são obrigados a adotar métodos para se proteger.
Quanto à visão da sociedade, os jovens se manifestaram contrários à Justiça, polícia, poderes Executivos e Legislativo, além dos partidos políticos. Para se manifestar, eles optam por entidades religiosas e organizações não-governamentais.

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