Famílias terão que sair de área invadida
Dimitri do Valle
De Curitiba
Cerca de 50 famílias do Jardim Tarumã 3, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, terão que abandonar suas casas a qualquer momento. O juiz Aldemar Sternadt, da comarca do município, concedeu liminar à ação de reintegração de posse impetrada pelo professor universitário Darcy Olavo Woellner. Ele é o dono da área ocupada pelos moradores desde junho de 97.
A notícia caiu como uma bomba entre os moradores. Caso forem despejados, eles afirmam não ter para onde ir. A prefeitura da cidade está sendo convocada pelos líderes comunitários para encontrar uma solução. O secretário municipal de administração, João Antônio Kowalczuck, informou que 40 terrenos já foram doados para a prefeitura pelo governo do Estado. O secretário orientou os moradores a procurar a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) para o cadastramento.
Em caso de despejo, representantes de associações de moradores fazem ameaças de levar os sem-teto para acampar em frente à prefeitura. Nós vamos levar esse pessoal para morar perto da prefeitura, se os moradores não forem reassentados em local seguro, avisou a presidente da União Piraquarense das Associações de Moradores (UPAM), Iracema Tinte. O secretário de administração respondeu que a prefeitura está fazendo de tudo para evitar que as famílias fiquem sem casa.
O comerciante Cícero Marcelino Ferreira, 40 anos, está dentro da área de 24 mil metros quadrados que está sendo reivindicada pelo proprietário. Ninguém quer ficar aqui de graça, queremos negociar pois não temos para onde ir, afirmou. O acordo, segundo ele, pode ser feito tanto com a prefeitura como com o dono da área, situada dentro da Vila Guarituba, um complexo de casas populares, a maioria resultante de invasões, onde vivem cerca de 22 mil pessoas.
Sem recursos para manter a propriedade rural no município de Cantagalo, na região central do Estado, João Nestor Castilho, 26 anos, acreditou numa vida melhor ao se transferir para a Região Metropolitana de Curitiba. Ele mora de favor na casa de um amigo no Jardim Tarumã 3. Agora, sob a ameaça de despejo, Castilho faz planos para retornar ao interior do Estado. Se for para sair daqui, só se for para voltar pra roça, disse.
O casebre de dois cômodos e um banheiro não são suficientes para desencorajar Castilho. Aqui é bem melhor que no interior, não tenho condições de pagar aluguel, mas graças a Deus estou empregado.





