Famílias terão de deixar área invadida
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terça-feira, 30 de setembro de 1997
Lúcio Horta Londrina 
Josoé de CarvalhoNegociaçãoJosé Ricardo e Rubinho Iani, da Federação de Favelas: entidade quer mais prazo para desocupar área em Cambé A Justiça de Cambé concedeu liminar de reintegração de posse para uma área de 2.875 metros quadrados. A área foi invadida por cerca de 160 famílias, fica na chácara Panissa, gleba Cafezal, na divisa de Cambé com Londrina, e pertence à Fratello Incorporações Imobiliárias Ltda. O presidente da Federação das Favelas e Assentamentos de Londrina, José Ricardo da Silva, esteve no Fórum de Cambé, na segunda-feira, e disse que a juíza Márcia Guimarães Marques Luz deu um prazo de apenas dois dias para que as famílias desocupem o terreno. Este prazo é impraticável, não há condições de nesse período tirar todo mundo.
Hoje de manhã, José Ricardo e o vice-presidente da Federação, Rubinho Iani, irão até a Prefeitura de Cambé tentar falar com o prefeito José do Carmo Garcia, para ver se encontram uma solução pacífica para a questão. Uma das opções, segundo eles, é a Prefeitura desapropriar o terreno e sugerir à Câmara dos Vereadores que transforme a área de zona rural para urbana, permitindo assim que o local seja loteado. O proprietário disse que tanto troca quanto vende o terreno, disse José Ricardo.
O jardim Olímpico (zona oeste de Londrina), que fica ao lado da área invadida, está sendo utilizado pela Prefeitura de Londrina para instalar as famílias que invadiram um fundo de vale no conjunto José Giordano (zona norte de Londrina). As famílias começaram a ser transferidas na segunda-feira, depois que a Prefeitura conseguiu liminar de reintegração de posse da área.
Segundo o assessor social da Cohab, Humberto Rodrigues de Lima, o ritmo dos trabalhos foi lento nos dois primeiros dias por causa da chuva, que atrapalhou o serviço. Mas hoje, garante Lima, a Cohab deverá contratar mais um caminhão para ajudar na transferência. A expectativa é que o trabalho termine até o final da semana. Ele acrescenta que ontem já eram 18 famílias, de um total de 46, dispostas a ir para o Olímpico. A tendência é que a maioria resolva optar pela transferência.
No final da tarde, Eduardo Guidone começava a levantar o barraco onde pretende morar com a esposa e os quatro filhos. Ele estava confiante de que fez uma boa escolha ao sair de uma situação incerta, no José Giordano, para o novo assentamento. Todo mundo fala mal daqui, mas o Olímpico é como qualquer outro lugar. E lá estava inabitável: não dava para fazer uma melhoria nem nada onde a gente morava por causa da situação indefinida.


