Famílias tentam retomar a vida no Novo Amparo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de fevereiro de 2019
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 

Quase um mês depois do incêndio que destruiu dez casas em uma área de ocupação no conjunto Novo Amparo (zona norte de Londrina), as famílias ainda estão tentando retomar a vida. A reportagem retornou à área na manhã desta quarta-feira (6). Ao todo, 25 pessoas perderam suas casas, móveis e pertences no incêndio que aconteceu na noite de 14 de janeiro, e a maioria já está abrigada em casas de parentes, segundo o relato de vizinhos. Outras duas famílias estão reconstruindo as moradias no mesmo terreno. Nenhuma delas estava no local para dar entrevista, mas parte de uma casa já estava com a estrutura levantada com tijolos e a outra já foi finalizada com madeirite.
A reportagem encontrou Manoel Marciano Gomes, 63. Ele está dormindo na casa de um vizinho que está em viagem, mas em breve não terá para onde ir.
Gomes chegou mais tarde em casa no dia do incêndio porque estava no centro da cidade, como de costume, para receber o sopão solidário. Além da casa, ele perdeu o fogão, colchão e geladeira novos. Tudo foi levado pelo fogo.
Gomes não tem parentes, é surdo e a única ajuda que tem recebido é da vizinhança. "Por enquanto, ele conseguiu a doação apenas de três pedaços de madeira e alguns alimentos, mas é muito pouco. Ele precisa montar a casa dele. Precisa de materiais de construção, móveis e eletrodomésticos", comentou a vizinha Cenira Maria de Jesus, que se emocionou ao relatar a situação de Gomes.
Segundo a assistente social da Cohab (Companhia de Habitação de Londrina), Edna Braun, a autarquia atualizou os dados das famílias logo após o incêndio, registrando os endereços que elas foram, com o intuito de colocar estas pessoas na lista de prioridade quando tiver processo de seleção para moradias populares. "As famílias conseguiram se alojar momentaneamente em casas de parentes e amigos. Não temos um local provisório e o trabalho é junto à Assistência Social do município, que presta apoio. Elas agora são demanda prioritária (na fila pela casa própria) e aguardamos que tenha empreendimentos em breve. A expectativa é o residencial Flores do Campo, que tem 1.200 capacidades. As famílias que tiveram perdas no incêndio têm perfil para este atendimento", apontou. O Flores do Campo está ocupado desde 2016.
A unidade de atendimento Cras Norte B (Centro de Referência de Assistência Social) informou que foram atendidas nove famílias. Desse total, duas famílias não pretendem retornar à ocupação por estarem construindo casas em terrenos de parentes. "(Outras) Duas famílias já se instalaram no mesmo local do incidente e as demais estão em processo de retorno construindo sua moradia", explicou Paulo Sérgio Aragão, diretor de Proteção Social Básica da secretaria municipal de Assistência Social. "O Cras continua fazendo o acompanhando no que se refere às políticas públicas da secretaria", acrescentou a secretária municipal de Assistência Social, Jacqueline Micali.
COMO FOI
O incêndio na área de ocupação do conjunto Novo Amparo aconteceu na noite de 14 de janeiro. O fogo se espalhou em questão de minutos entre dez casas e só não causou maiores danos pela ação rápida dos bombeiros e de vizinhos que se uniram para tentar controlar as chamas. Os moradores desabrigados passaram a primeira noite na Igreja Católica do bairro, onde receberam um atendimento primário de funcionários da Cohab-LD e do Cras. (Colaborou Pedro Marconi)
SERVIÇO - Quem puder ajudar Manoel Gomes com doações pode entrar em contato pelo telefone (43) 99818-9475 (Silvia)


