Famílias têm trabalho reciclando lixo
Emerson Cervi
De Curitiba
Além de evitar que mais de duas mil toneladas de lixo reciclável seja depositada mensalmente no aterro sanitário do Caximba, o programa lixo que não é lixo gera trabalho para dezenas de famílias em Curitiba. Além da unidade de valorização da própria prefeitura, existem 24 conveniados ao ao município que recebem o material para fazer a seleção. Esses depósitos compram o lixo reciclável recolhido pelos caminhões da coleta seletiva e carrinheiros, fazem a classificação e depois vendem para indústrias que utilizam papel, plástico, metais e vidros reciclados.
A unidade de valorização de lixo reciclável da prefeitura recebe 30% do total recolhido. São cerca de 500 toneladas ao mês. Temos capacidade para classificar até 600 toneladas nesse período, conta o administrador da unidade, Marcelos Gomes Ferreira. Trabalham na unidade municipal 100 pessoas, divididas em dois turnos. Eles são cooperados de uma cooperativa de trabalhadores autônomos e recebem por produtividade. O lucro da venda do material é revertido para programas de assistência social do município.
O comerciante Guilherme Ferreira dos Santos, que compra e vende ferro velho em Curitiba, foi um dos primeiros conveniados da prefeitura para receber material reciclável do programa lixo que não é lixo. Das 1,4 mil toneladas de lixo vendidos pela prefeitura por mês, Guilherme fica com cerca de 600 toneladas. Ele compra, seleciona e vende lixo reciclável há dez anos. Existem várias famílias que trabalham na seleção comigo e se não fosse isso estariam sem nenhuma renda, afirma.
Guilherme dos Santos recebe, em média, dois caminhões, com duas toneladas cada um de material reciclável da prefeitura por dia. Ele paga R$ 15,00 a tonelada do lixo. Depois da seleção o material é vendido por preços que variam de acordo com as possibilidades de utilização posterior. O mercado já foi melhor, hoje a margem de lucro é mínima, conta. Agora que o preço do papel reagiu, a quantidade que chega para nós caiu bastante, antes tínhamos 200 toneladas por mês de papel e hoje em dia são apenas 100 toneladas. Santos tem três unidades de seleção de lixo reciclável.
A família de Lucélia Esteg Pereira trabalha há quatro anos em uma das unidades de seleção de lixo credenciadas por Guilherme dos Santos. Ela, o marido e o filho selecionam até dois mil quilos de lixo reciclável por dia. O caminhão da prefeitura descarrega nos fundos da casa, o material passa pela esteira de classificação e depois são enfardados para a venda.
Das duas toneladas selecionadas diariamente pela família de Lucélia, cerca de 1.500 quilos são vendidos como lixo reciclável. Os preços variam muito. Atualmente o papel de melhor qualidade é vendido por R$ 150,00 a tonelada. O plástico de garrafas Pet saem por R$ 15,00 a tonelada. Tirando as perdas que temos, o valor que recebemos da venda do lixo é suficiente para sustentar nossa família, completa a selecionadora.Além de ecologicamente recomendada, a reciclagem de lixo também é alternativa para o desemprego na Região Metropolitana
José SuassunaMão-de-obraLuiz da Cruz e a cunhada Lucélia Esteg Pereira participam da reciclagem de lixo em unidade credenciada pela Prefeitura de Curitiba





