Autores do direito com base na legislação do País apontam que o tempo médio necessário para o cumprimento de um processo - levando-se em consideração todos os prazos para o trâmite, incluindo recursos - seria de 81 dias. As delegacias, por sua vez, deveriam ser locais apenas para triagem.
Porém, na prática, pessoas sem escolaridade ou condições financeiras acabam sendo as mais prejudicadas e, pela falta de estrutura e consequente morosidade da Justiça, pagam com a própria liberdade. Sem assistência devida, chegam a ficar anos esperando por uma decisão.
Há um ano e meio o ajudante de ferro-velho Ademir Silva enfrenta o desafio de cuidar sozinho da filha, de três anos e meio. Esse é o tempo em que sua esposa permanece detida no 4º DP de Londrina, acusada de tráfico. Analfabeto, Silva não sabe a quem ou onde recorrer para tentar agilizar o processo para que a mulher possa ir logo para casa.
''Ela reclama muito, diz que outras mulheres que entraram depois já saíram, mas eu não sei o que fazer. Acho que ela já ficou tempo demais aí'', diz, inconformado. A esperança de pai e filha agora se concentra no trabalho de um advogado dativo, nomeado pelo Estado. ''Parece que ele vai conseguir tirar ela daí em janeiro.''
Assim como Silva, outras famílias aguardam ansiosas pelo fim da agonia de ter parentes encarcerados. Há 10 meses a dona de casa Ivanilde viu sua vida virar de cabeça para baixo quando a filha mais velha, promotora de vendas e mãe de uma garota de seis anos, foi presa com o marido sob acusação de grampo telefônico.
''A gente nem sabe direito o que aconteceu, não tem prova nenhuma contra ela. Mesmo assim não tem previsão de quando ela vai sair.'' Ivanilde revela que a família conseguiu contratar um advogado, mas não está vendo resultados. Ela acredita que o trabalho de uma defensoria pública seria mais rápido, e conseguiria tirar da cadeia ''muita gente inocente que está lá só ocupando espaço''. (Coaborou Marian Trigueiros)

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