O subgerente regional da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) em Maringá, Milton Maziero, confirmou ontem que as cinco famílias que ocupam irregularmente unidades da Vila Rural José Sossai, em Astorga (40 quilômetros ao norte de Maringá), serão despejadas. ‘‘A ocupação está irregular’’, justificou. Pelas regras, as casas são concedidas por um período de 30 meses aos titulares, apontados por uma comissão municipal e Cohapar. ‘‘A venda do lote é totalmente ilegal, o mesmo acontecendo nos casos de ocupação’’, reiterou.
Segundo Maziero, a assistência social da companhia faz a seleção das famílias e sempre há lista de espera. Quando uma unidade é desocupada por desistência ou o morador irregular é retirado, a família que está na fila tem a preferência. ‘‘O problema de Astorga se repete em outros locais, mas ali o agravante é que alguns moradores chegam a abandonar o lote para trabalhar em outras cidades’’, explicou. Parte dos vileiros passa seis meses em Minas Gerais colhendo café.
Quem abandona completamente a casa perde os direitos. Maziero deixa claro que existe um contrato entre os vileiros e a Cohapar, que rege a forma como o lote será explorado. ‘‘Quem não cumprir pode ser tirado, ainda mais se não tem vínculo algum com o programa’’, disse. Ele alerta as pessoas que recebem propostas para adquirir direitos em vilas rurais, para que não aceitem, porque correm o risco de perder o valor pago.
A Vila Rural de Astorga é a maior do Estado, com 100 lotes, a maioria explorado de acordo com as regras do contrato. O agrônomo Joaquim Girardi, da Emater local, calcula que 90% dos vileiros estão enquadrados no sistema. A maioria dos lotes, com média de 5 mil metros quadrados cada, tem café adensado. No total, foram plantadas 185 mil mudas, mas Girardi acha que 40 mil morreram com as geadas de junho.
Junto com o café as famílias cultivam hortaliças, milho e vassoura. Além da assistência técnica, a prefeitura e o Estado repassam parte dos insumos e mudas de espécies frutíferas. Para substituir o café nas baixadas, onde a geada causou maiores prejuízos, a Emater estuda a implantação da culturas alternativas, como a estévia e folha de maracujá. ‘‘Já estamos com um projeto para perfurar um poço artesiano, viabilizando a irrigação das lavouras’’, conta Girardi.

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