Famílias serão despejadas de área
Oficiais de Justiça tentaram cumprir ontem a primeira de uma série de ordens individuais de reintegração de posse do Loteamento Rivadávia, na zona norte de Cascavel, onde há mais de 100 famílias, parte delas classificadas como invasoras. O alvo da ordem é a família do pedreiro Romão Peixoto, 44 anos, cinco filhos, que há 4 anos ocupou um terreno e construiu uma pequena casa por não ter outra saída, segundo ele. Os proprietários do loteamento devem buscar a reintegração individualizada, com ordens de desocupação contra cada invasor, que, no início de 1996, conseguiram resistir ao despejo coletivo porque se mobilizaram em bloco.
O caso do loteamento Rivadávia é um dos exemplos de conflitos fundiários que se estabeleceram há várias décadas em Cascavel, não apenas na zona rural, mas também na cidade, e que ainda perduram. O Loteamento Rivadávia integra espólio da família Siliprandi, liderada pelo advogado Edi Siliprandi - dono de emissoras de rádio e ex-deputado federal, que lutava pela criação do Estado do Iguaçu. Sem ocupação, os terrenos foram sendo invadidos e neles se instalaram famílias pobres. Outras famílias compraram os imóveis mediante contratos. Os direitos destas devem ser preservados, segundo a família Siliprandi.
Em 96, a ordem de reintegração foi expedida contra 30 famílias que não permitiram a entrada de caminhões e tratores para a retirada de móveis e demolição das casas - malocas, segundo consta na ordem - apesar do acompanhamento da Polícia Militar. Agora, a família Siliprandi está requerendo ordens para cada uma das famílias. Eles querem que a gente perca a união, porque enquanto a ação é contra um ocupante, o outro acha que não deve se envolver, disse um morador. Romão Peixoto, que afirma ter encontrado o terreno coberto pelo mato, há 4 anos, quer um acerto para pagar pelo imóvel. Se não der, vou ter que obedecer a ordem da Justiça, disse.
O pedreiro se dispõe a sair até domingo, mas não sabe para onde levar a mulher e os filhos. O advogado Aderbal de Melo, que representa os invasores, disse que a única alternativa para o loteamento é a prefeitura desapropriá-lo. Há um sério problema social em questão. O assunto será discutido hoje em reunião com o prefeito em exercício, Eduardo Marassi (PFL).Edson MazzettoSem destinoMoradores revoltados em volta da casa do pedreiro Romão Peixoto, o primeiro a ser despejado; ele não sabe para onde levará a mulher e os filhosPaulo Pegoraro





