Famílias sem-teto vão para área permutada em Cascavel
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sexta-feira, 26 de outubro de 2001
Gilmar Agassi<br> De Cascavel 
A transferência das famílias sem-teto que ocupam área no Jardim Gramado, em Cascavel, deve acontecer ainda este ano. O prefeito Edgar Bueno (PDT) assinou ontem a escritura de permuta da nova área de 74,2 mil metros quadrados de propriedade da empresa Transcontinental destinada às famílias invasoras. A área foi permutada com outra de 60,5 mil metros quadrados da Gleba Rio Cascavel de propriedade do município.
O representante da Transcontinental, Bento de Barros Ribeiro, afirmou esperar que o problema seja resolvido o mais rápido possível, pois a empresa tem interesse em negociar alguns dos terrenos que foram invadidos por cerca de 290 famílias há cerca de três anos. ''Fizemos nossa parte, agora aguardamos uma resolução para esse impasse'', disse.
Edgar Bueno ressaltou a importância do acordo. Segundo ele, as famílias corriam o risco de serem despejadas, já que a Justiça havia concedido a reintegração de posse aos proprietários da área. Bueno observou que não admitirá outras invasões como a ocorrida no Jardim Gramado. ''Já conversamos com o comando da Polícia Militar e não iremos aceitar qualquer tipo de invasão que venha prejudicar Cascavel'', afirmou.
O prefeito espera que até o final do ano todas as famílias sejam transferidas para a nova área, localizada entre o loteamento Jesuítas e o bairro Floresta. O local contará com obras de infra-estrutura, planejamento topográfico, abertura das ruas e instalação de água e luz. ''A mudança depende também das famílias, pois elas que serão responsáveis pela construção dos imóveis'', completou Bueno.
Segundo o coordenador local do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Silvio José Gonçalves, a assinatura da escritura e a conclusão das obras de infra-estrutura representam o último passo para que as famílias comecem a se transferir. Ele diz que algumas famílias que construíram casas de alvenaria ainda estão tentando uma negociação com os proprietários da área para permanecer no local.
No ano passado, a Transcontinental havia adquirido uma outra área no Jardim Itália para que os invasores fossem transferidos. A área chegou a ser doada ao município, mas o Ministério Público a considerou de preservação ambiental e proibiu o loteamento.


