Edson MazzettoLuta pela terraFamílias que não entraram na lista do Incra para assentamento invadiram mais uma parte da Pinhal RaloCerca de mil assentados e sem-terra excedentes do Assentamento Ireno Alves dos Santos, na Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu (125 km a oeste de Guarapuava) acamparam ontem em frente à prefeitura e também ocuparam as dependências internas do prédio. Eles realizaram protestos e entregaram uma lista de reivindicações ao prefeito Leonel Schimidt (PMDB). Os sem-terra bloquearam a entrada e a saída da prefeitura e não permitiram que os veículos da frota municipal saíssem a serviço.
Eles reivindicam uma ambulância, remédios, instalação de posto telefônico, construção de unidades de abastecimento de água e liberação dos recursos prometidos pelo Banco do Brasil para as famílias assentadas. Os sem-terra também querem que o prefeito pressione o Incra para acelerar a desapropriação de mais 15 mil hectares de terras para assentar os excedentes.
No documento entregue pelos sem-terra ao prefeito, eles dizem que se o Banco do Brasil não liberar os recursos exigidos, a agência de Laranjeiras do Sul também será ocupada. ‘‘Se a questão não for atendida imediatamente, faremos igual ação na agência de Laranjeiras do Sul, exigindo o cumprimento imediato do acordo feito’’, diz o documento.
Uma reunião que estava marcada para acontecer às 15 horas de ontem, com a presença dos líderes dos sem-terra, prefeito e vereadores, não foi realizada porque os vereadores não compareceram e os sem-terra não aceitaram negociar sem a presença deles.
Segundo o presidente da Câmara dos Vereadores, Antônio Ênio Bovino, os vereadores não compareceram por motivos de segurança. ‘‘Nós só aceitamos uma reunião com a executiva do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem terra (MST). Enquanto todo esse povo continuar em frente a prefeitura nós não vamos participar de nenhuma reunião’’, disse.
O prefeito Leonel Schmidt, disse que não tem condições de atender sozinho as reivindicações dos sem-terra. ‘‘Elas fogem do meu alcance. São coisas que dependem, na maioria, do governo federal, estadual, Incra e Banco do Brasil. O município é recém-criado. Tínhamos 6 mil habitantes e, de repente, o número de habitantes subiu para mais de 15 mil. Não temos condições de atender toda essa gente’’, ressalta.
Schmidt disse também que todos os serviços internos da prefeitura tiveram que ser paralisados porque os sem-terra ocuparam todas as dependências da prefeitura. ‘‘A situação é complicada. Eles tomaram uma filmadora da prefeitura. Nós já avisamos o Batalhão da Polícia Militar e se eles continuarem aqui vamos pedir auxílio para a polícia’’, afirmou.
O escritório regional do MST, em Cantagalo, foi procurado pela Folha e Laurici Leal, da direção regional do MST informou que não tem conhecimento do desaparecimento da filmadora e que os sem-terra irão permanecer no local até que os vereadores aceitem participar da reunião.
O assentamento, oficializado na semana passada pelo Incra, faz com que os lavradores deixem a condição de sem-terra. A fazenda, da empresa Araupel (ex-Giacomet-Marodin), foi ocupada em abril de 96 por mais de 3 mil famílias. Hoje, restam 1.350, das quais 900 assentadas em 16,9 mil hectares (do total de 47 mil) desapropriados no início do ano. O excedente de 450 famílias não aceita sair da área e quer a desapropriação de mais 15 mil hectares, que ocuparam no final da semana. (Colaborou Paulo Pegoraro, de Cascavel)

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