A Fazenda Santa Terezinha, em Querência do Norte (a 113 quilômetros de Paranavaí), foi ocupada às 6h45 de ontem por 70 famílias sem-terra. A fazenda tem 413 alqueires, pertence a José Oscar Arroyo e é a sétima propriedade a ser ocupada este ano pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Seis soldados da Polícia Militar assistiram à invasão.
O chefe da Divisão Fundiária do Incra em Curitiba, Pedro Luís Kerber, disse à Folha que a Fazenda Santa Terezinha ainda não foi vistoriada e por isso não posso dizer se ela é produtiva ou não. ‘‘Mas agora com a invasão vamos fazer uma vistoria na propriedade’’, diz Kerber. Ele não soube dizer se a fazenda já havia sido denunciada ao Incra como sendo improdutiva.
‘‘A fazenda não cumpre a sua função social, não tem reserva florestal. Só tem três empregados e aquele tamanho todo. Como é que uma fazenda assim pode ser considerada produtiva?’’, questionou o coordenador regional do MST, Paulo Demarque.
Em nota à imprensa, a União Democrática Ruralista (UDR) do Paraná diz que a fazenda é produtiva, pois tem 20 alqueires de milho e mil bois. Segundo a UDR, os sem-terra mantiveram o capataz da fazenda João Leite Cabral em cárcere privado. Demarque negou: ‘‘Nunca prendemos alguém, pois não temos poder de polícia.’’
A UDR acusou o MST de roubar uma caminhonete e um trator e de matar seis bois. Demarque respondeu: ‘‘Não temos interesse nisso. Foi uma ocupação pacífica’’.
O soldado PM Jorge Luís, que assistiu à ocupação, disse que não houve violência. ‘‘Foi um movimento pacífico.’’

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