Enquanto agricultores reclamavam a dificuldade de escoamento da produção, mães e avós que participaram do protesto apontavam a poeira como a grande culpada pelo aumento de alergias e problemas respiratórios de filhos e netos. A reclamação foi confirmada por uma funcionária do posto de saúde local.
  A história está querendo se repetir, segundo a dona-de-casa Sandra Montini Maia, de 29 anos. Nascida no Patrimônio Guairacá, ela afirma que desde pequena sofre com a poeira ou lama por conta da falta de asfalto. ‘‘Tinha alergia, problemas de pulmão, além da sujeira que a gente ficava’’. Agora, além dela, quem passa pela situação são os filhos, de 11 e oito anos.
  O filho mais novo, Elivelton Maia, diz que no caminho da escola fica todo empoeirado. ‘‘Só os cadernos ficam limpos porque estão na mochila, né?’’. Entre manhã e tarde, 120 estudantes transitam no trajeto escola-casa, uma vez que os colégios mais próximos ficam no distrito vizinho, Paiquerê.
  A mãe diz que ele e a filha têm problemas freqüentes de alergia e ficam sempre gripados. ‘‘Vira e mexe estão doentes, e eu acho que a causa é essa sujeira’’, acredita.
  A enfermeira da Unidade Básica de Saúde do Guairacá, Lilian Poli de Castro, diz que não tem dados estatísticos, mas garante que percebe a grande procura de tratamento para doenças respiratórias. ‘‘Essa poeira agrava a situação. Alergias e gripes acabam sendo muito recorrentes’’. afirma.
  Quando não é a poeira, é a lama. Outro problema para a dona-de-casa é a época de chuva. ‘‘A gente vive com medo porque quando chove os ônibus encalham e nós não sabemos a que horas as crianças vão chegar da escola’’, afirma. Além disso, ela reclama da própria dificuldade em se locomover. ‘‘Para tudo que é necessário nós temos que ir para Londrina. Na chuva fica difícil por causa da lama, e na seca chegamos imundos de poeira na cidade’’. (G.B.)

mockup