Apesar de concordarem com a desocupação do terreno, o clima ontem era de incerteza entre os moradores da Favela Quati, zona norte de Londrina. As 26 famílias não têm para onde ir, mas não querem ser transferidas para o Jardim Maracanã (zona oeste), conforme propôs a Companhia de Habitação (Cohab). Pelo acordo feito anteontem com a Construtora Cebenge Engenharia, proprietária do terreno, os moradores devem deixar a área até 10 de janeiro. Alguns já começaram a desmanchar os barracos.
Dorcélia Aparecida Laurindo, 34 anos, uma das representantes dos moradores, disse que o prazo permitirá ao menos que as crianças terminem o ano letivo. Ela não confirmou a informação de que teriam sofrido ameaças de moradores do Maracanã. A recusa da transferência, segundo a dona de casa, seria pela distância do local de onde estão acostumados a morar. Dorcélia garantiu que não haverá reação dos moradores e nem mesmo uma nova invasão. ''Esperamos que a Cohab nos arrume outro lugar'', comentou.
''Se eu desmontar o meu barraco, ele não poderá ser construído de novo'', desabafa a desempregada Edna Márcia da Silva, 32 anos, referindo-se à fragilidade das tábuas de sua casa. Ela afirma que o seu barraco foi o primeiro a ser levantado no terreno, há cerca de seis anos. Outra moradora, a auxiliar de serviços gerais Fátima Xavier, 34 anos, diz ter uma solução para o caso: ''Vamos para a porta da prefeitura, lá tem bastante espaço''.
A área de três mil metros quadrados que pertence à construtora corresponde a 50% da favela do Quati. A região foi ocupada há cerca de 6 anos por pessoas que deixaram a antiga favela Vila Rica, hoje Jardim Leste-Oeste, quando ocorreu a urbanização. A outra parte da favela foi regularizada pela Cohab em 1994.
O diretor Administrativo e Financeiro da Cohab, Augusto Dias Júnior, garante que o Jardim Maracanã é a única área que a companhia possui para relocar essas famílias. Dias Júnior destaca que não há recursos disponíveis que permitam negociar o terreno com o proprietário. Ele responsabiliza a inadimplência de mutuários de conjuntos habitacionais pela falta de recursos para a construção de moradias baratas.
O presidente da Cohab, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, vai protocolar hoje, no Fórum, 30 notificações judiciais contra mutuários inadimplentes. A medida é o primeiro passo para a retomada do imóvel, caso o mutuário não pague a dívida com a companhia. As notificações judiciais são referentes a mutuários que não pagam a prestação, em média há 4,2 anos, e que não moram no imóvel. Nove estão alugados, oito desocupados e 13 cedidos.

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