Famílias são retiradas de área invadida
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quinta-feira, 07 de fevereiro de 2002
Erika Wandembruck Equipe da Folha 
Curitiba - Quinhentas pessoas que viviam há 17 dias em 310 barracas de lona e 80 casas de madeira em uma área invadida no bairro Capão Raso, em Curitiba, foram retiradas ontem do local por 334 policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar. A ação policial, que começou por volta das 5 horas, teve respaldo judicial. O mandado de reintegração de posse foi obtido na 9ª e 14ª varas cíveis de Curitiba pela Brejatuba Incorporações e Construções Imobiliárias e Residencial Plano Leve, no último dia 25.
Um morador foi preso por instigar os outros a desobedecerem a ordem judicial. A operação durou o dia todo. Hoje e amanhã, policiais militares continuarão fazendo segurança no local para evitar que as famílias retornem à área.
Armados, os policiais invadiram nossos barracos e soltaram até bomba de gás lacrimogêneo, contou o pedreiro Laércio Borba, 41 anos, que teve a casa de madeira destruída por um trator contratado pelos donos dos terrenos. Nós nem terminamos de pagar as madeiras. Agora perdemos tudo e não temos para onde ir, disse emocionado.
Segundo o tenente-coronel Renato Ribeiro Peres, responsável pela operação, não houve violência nem confronto na retirada das pessoas. Elas já sabiam da reintegração há uma semana. Tanto é que 30 famílias tinham saído dos três lotes ocupados dias antes da operação começar, afirmou.
Entre as famílias que deixaram o local com antecedência está a do técnico em telecomunicações Maurílio de Andrade. Ele, a mulher e os dois filhos se mudaram temporariamente para a casa da sogra de Andrade. Tenho um bebê de seis meses. Não ia esperar a polícia chegar para as crianças presenciarem a invasão e destruição da nossa casa como se fôssemos animais. Seria traumatizante, afirmou.
No entendimento de Andrade, a prefeitura deveria acomodar as famílias em outra área pertencente ao município. Entretanto, a prefeitura afirmou, por intermédio de sua assessoria, que como os terrenos não são do município não vai prestar auxílio aos invasores. Apoiamos a polícia emprestando seis caminhões para que a madeira fosse removida e posteriormente queimada pela PM, informou a assessoria.
Os três lotes invadidos, ficam situados em dois quarteirões delimitados pelas ruas Pedro Gusso, Laudelino Ferreira Lopes, Affife Mansur e Olga de Araújo Espíndola.


