Curitiba Sessenta e sete famílias estão sendo despejadas de uma área de preservação ambiental, que integra a Bacia do Rio Passaúna, no município de Campo Magro, Região Metropolitana de Curitiba. A desocupação, iniciada ontem, tem o acompanhamento de 160 policiais militares da Tropa de Choque e da Polícia Montada. A medida atende ordem judicial de reintegração de posse e, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, ocorre de forma pacífica.
Mesmo sem ter para onde ir, a maioria das famílias começou a desmontar as casas e a carregar os móveis em caminhões ainda ontem. O desmonte das casas, feito pelos próprios moradores, deve ser concluído hoje.
O advogado da organização não-governamental (ONG) Terra de Direitos, Vinícius Gessolo de Oliveira, que acompanha a situação das famílias, disse que elas haviam concordado em deixar a área, que é particular. Ele ressaltou que as propostas de relocação ainda estavam sendo negociadas em conjunto entre Prefeitura de Campo Magro, Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Companhia de Habitação do Paraná e Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab).
Uma das propostas era de relocar parte das famílias para um loteamento da Cohapar, em Paranaguá, Litoral do Estado, e outra parte para Curitiba, em loteamento da Cohab, como parte do programa Habitar 2005. Uma nova reunião entre os órgãos envolvidos estava marcada para a próxima segunda-feira, mas o despejo acabou acontecendo antes da finalização das negociações.
A Prefeitura de Curitiba ofereceu vagas nos albergues da Fundação de Ação Social (FAS) para abrigar parte das famílias na noite de ontem. Mas, segundo Oliveira, pelo menos 180 pessoas não tinham para onde ir. A prefeitura também disponibilizou um barracão, onde os despejados pudessem guardar seus móveis.
Oliveira disse que ingressaria hoje com uma medida judicial para assegurar abrigo para as famílias, enquanto as propostas de relocação não forem efetivadas. Ele lembrou que, entre os moradores, há muitas crianças, idosos e portadoras de necessidades especiais. Ainda de acordo com o advogado, há vários posseiros que estão na área há mais de 10 anos. A maioria está há, pelo menos, dois anos.

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