Vinte e cinco famílias de um grupo de sem-terra conhecidos como ‘‘ribeirinhos’’ (viviam às margens do Rio Paranapanema) ocuparam ontem de madrugada a Fazenda Central, em Icaraíma (67 quilômetros a noroeste de Umuarama). Elas estavam acampadas em outras fazendas ocupadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em Querência do Norte e foram transferidas para Icaraíma com a ajuda da Polícia Civil.
As famílias se alojaram em um barracão próximo à sede da fazenda, de cerca de 700 alqueires, localizada no distrito de Vila Rica do Ivaí, no limite com Querência do Norte. Hoje, mais 55 famílias devem chegar ao local.
Antigos arrendatários da região, as famílias formam um grupo paralelo ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Os dois grupos disputam áreas em Querência do Norte e os ‘‘ribeirinhos’’ não são aceitos nas fazendas invadidas pelo MST.
Em maio, foram expulsos da Fazenda Sonho Real e chegaram a acampar em praça pública para protestar. Com aproximadamente 140 famílias, o grupo ocupava ultimamente as Fazendas Bandeirantes, em Querência do Norte, e São Sebastião, em Santa Cruz do Monte castelo.
O delegado de Querência do Norte, Mário Sérgio Bradok, disse ontem que recebeu mensagem do presidente do Banestado, Neco Garcia Cid, com recomendação para que transferisse os ‘‘ribeirinhos’’ para a Fazenda Central.
Metade da fazenda teria sido tomada pelo banco para pagamento de dívidas e doada ao Incra para assentamento dos sem-terra. ‘‘Orientamos as famílias a ocupar a área antes que o MST o fizesse’’, disse Bradok. As famílias foram levadas para o local de madrugada numa camioneta F4000 escoltada por três carros da polícia.
Até o final da tarde de ontem ainda havia dúvida se a Fazenda Central era realmente a propriedade de Icaraíma doada pelo Banestado ao Incra para assentamento de sem-terra. A Fazenda pertence ao Grupo Central, de Maringá.
Os donos teriam admitido à Polícia Militar que parte da fazenda está hipotecada junto ao Banestado, mas alegaram que a dívida tem apenas um mês de atraso e que o Banestado ainda não tomou a propriedade. A Central poderia estar sendo confundida com outra fazenda vizinha, chamada São Pedro.
Um grupo da Polícia Militar de Umuarama está em Icaraíma acompanhando a ocupação.

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