Cleide Salestiana Ribeiro, 38 anos, 10 filhos, moradora do Santa Fé, encontrou a equipe da Fundação Nacional de Saúde no jardim Marabá, às margens do Rio das Pedras. Ela contou que o marido já teve esquistossomose, mas sarou depois que recebeu tratamento. ‘‘Agora eu não deixo minhas crianças brincarem na água dos rios’’, diz Cleide Ribeiro.
A dona-de-casa Cristiana Lima Rosário, 22 anos, cinco filhos, ficou preocupada depois da visita do técnico da FNS. ‘‘Meu filho de um ano caiu no rio e ficou doente. Ele está até com a barriga bem inchada’’, conta. ‘‘Eu já tinha ouvido falar da barriga d’água mas não tinha idéia que poderia ser isso’’, ela acrescenta. A dona-de-casa disse que ia levar rapidamente o menino para o Posto de Saúde.
Cristiana mora na jardim Rosa Branca 2, na rua Pingo D’água, na quadra 1, data 2. Ela diz que passa muitas dificuldades para sustentar os cinco filhos, porque apenas o marido trabalha fora, em um Mercado Municipal.
A casa de madeira está ‘‘caindo’’ e a família tem que usar a água do córrego para lavar roupa. ‘‘Eu queria que alguém me ajudasse a consertar minha casa’’, apela.
O coordenador do Núcleo de Educação e Saúde da FNS, João Martins de Souza, diz que as palestras para as famílias que moram nas áreas ribeirinhas são importantes para o trabalho de prevenção contra a esquistossomose. ‘‘Mas sem saneamento básico é difícil resolver o problema’’, acredita.
Ele lembra que as famílias acabam não tendo outra alternativa a não ser pegar água no córrego para lavar roupa e às vezes até para beber. Com a falta de saneamento básico, as pessoas que moram nesses bairros carentes também têm que construir as chamadas ‘‘privadas aéreas’’ perto dos córregos ou optar por esgotos clandestinos. ‘‘Chega o verão, as crianças não têm outra alternativa de lazer, a não ser brincar dentro dos córregos.’’
(Adriana De Cunto)

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