Famílias recusam aeroporto
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segunda-feira, 28 de abril de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
Edson MazzettoReuniãoComissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu começou a discutir o impasse ontemFamílias de agricultores que serão transferidas das margens do Rio Iguaçu para Cascavel não aceitam a construção (projetada) de um aeroporto na Fazenda Piquiri. A área, às margens da BR-369 e a 15 quilômetros da cidade, está reservada para reassentamento dos agricultores que serão deslocados para a formação do reservatório da Usina de Salto Caxias, da Copel.
As famílias alegam que não haviam sido informadas sobre o projeto quando fecharam acordo com a Copel para compra da fazenda e reassentamento. O impasse começou a ser discutido ontem, em reunião convocada pela Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi).
Segundo o coordenador da entidade, José Uliano Camilo, as famílias souberam apenas no final da semana que 90 dos 2.731 alqueires da fazenda haviam sido colocados pelo governo do Estado à disposição do Ministério da Aeronáutica, para a construção do novo aeroporto de Cascavel (o atual está obsoleto). Está previsto o reassentamento de 235 famílias na fazenda, considerada modelo, pela qualidade da terra e produtividade que vinha sendo obtida por uma empresa de Cascavel, a última proprietária.
Aprovação prévia A Copel pagou cerca de R$ 20 milhões pela desapropriação da área. Um acordo com a Crabi exigia aprovação prévia pelas famílias a serem reassentadas. O acordo foi fechado no início de 96.
Os agricultores dividirão lotes de 7 a 20 alqueires. A Copel está completando a divisão dos espaços e as famílias já definiram onde serão construídas as casas. Sobre aeroporto, até agora nunca ninguém nos havia dito nada, disse ontem José Uliano Camilo. Os agricultores acham que um aeroporto no local seria fator de risco à segurança (na hipótese de acidentes) e inviabilizaria atividades como a avicultura.
O projeto do aeroporto foi elaborado pelo próprio Ministério da Aeronáutica, ainda no mandato anterior (89-92) do atual prefeito de Cascavel, Salazar Barreiros (PPB). No Orçamento da União há previsão de R$ 13 milhões para a execução da obra. Salazar disse ontem que ninguém será prejudicado com a obra. Em qualquer outro local naturalmente poderia haver alguma reação dos vizinhos, observou.
Nova área Se o projeto do aeroporto for mantido, a única opção que a Crabi aceitará discutir é a escolha de uma nova área. Isso implicaria em grande prejuízo a Copel e à sociedade paranaense, por causa da desapropriação já efetivada, observa Camilo.
A Crabi considera a hipótese de busca de nova área para assentamento um fator de risco para o cumprimento de prazos para o reassentamento, porque ele terá que ser efetivado até seis meses antes do fechamento das comportas da barragem de Salto Caxias, no final de 98. Dificilmente dará tempo para implantar infra-estrutura, construir casas e outras providências, teme José Camilo.


