Emerson Cervi
De Curitiba
Cerca de 300 pessoas de 154 famílias que ocupam, há quatro meses, duas áreas nas proximidades do Jardim Dom Pezzo II, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, prometem resistir à polícia caso o mandado de reintegração de posse seja cumprido. Os proprietários dos terrenos conseguiram o mandado da Justiça local e a Secretaria de Segurança Pública já autorizou a polícia a dar apoio ao cumprimento da ordem. ‘‘Não vamos sair daqui porque não temos lugar para ir’’, disse Paulo dos Santos, 43 anos, um dos ocupantes.
A ordem deveria ter sido cumprida na semana passada, mas assessores do prefeito solicitaram mais alguns dias para tentar uma negociação pacífica com os moradores do local. ‘‘Aquelas áreas são particulares, o município não tem nenhuma participação nas ações, apenas queremos evitar violência e o problema social que pode ser gerado com a reintegração de posse’’, disse ontem o procurador geral da prefeitura, Antônio Celso Pinto.
Na segunda-feira o procurador se reuniu com representantes dos invasores e com promotores de Justiça para tentar um acordo. Como as famílias não aceitaram deixar a área, a Justiça deu três dias para o cumprimento do mandado de reintegração. Esse prazo termina hoje.
As áreas começaram a ser ocupadas em setembro do ano passado. A maioria das pessoas que mora ali não tem trabalho fixo. Muitos tinham comprado terrenos no Jardim Dom Pezzo II, não conseguiram manter as parcelas em dia e foram despejados. ‘‘Todo mundo daqui vive de bico, não tem trabalho fixo e as imobiliárias estavam cobrando mais de R$ 150,00 por mês em cada terreno’’, afirmou um dos invasores.
Segundo Paulo dos Santos, a proprietária de um dos terrenos aceita negociar a venda da área. ‘‘Mas ela está na praia e não conseguimos uma garantia de acordo para evitar o despejo’’, lamentou. ‘‘Não queremos morar de graça, aceitamos pagar uma parcela de R$ 25,00 ou R$ 30,00, que é suportável.’’
Uma das sugestões para evitar o despejo era o município desapropriar a área, fazer a urbanização e parcelar os lotes pelo Fundo de Habitação Municipal. Mas a proposta não foi acatada porque os invasores ‘‘cortariam’’ uma fila de 5 mil famílias que aguardam um terreno pelo Fundo de Habitação. ‘‘Uma pesquisa do nosso Departamento de Urbanismo constatou que apenas 30% daquelas famílias é de Araucária, grande parte veio de Curitiba e até de Santa Catarina’’, completou o procurador.

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