Marcos NegriniAção criminalMoacir Ferreira, Waldemariton Guimarães, José Duarte, Rosilene Vargas e Célia Marin: ‘‘enganados’’ Seis famílias que compraram lotes há seis meses no condomínio horizontal Favoretto, na zona rural de Maringá, a três quilômetros do centro da cidade, pretendem entrar com ação criminal na Justiça contra o vendedor José Hélio da Silva. Os compradores acusam o vendedor de estelionato. ‘‘Ele nos vendeu lotes clandestinos, em lugar proibido, onde nunca vão chegar água, luz e asfalto, conforme ele nos prometeu’’, acusou José Francisco Duarte, que, como os outros, comprou lote de mil metros quadrados por R$ 3 mil à vista.
O terreno, que termina num fundo de vale, na beira do ribeirão Mandacaru, pertence à família Favoretto, de Maringá. Os três irmãos Favoretto (Eduardo, Francisco e Ricardo) são empresários e não quiseram falar à Folha sobre o negócio.
O terreno foi vendido por eles a José Hélio da Silva, que loteou o terreno. Os compradores acreditam que Silva fugiu com o dinheiro. Há duas semanas, o telefone celular dele (972-2639) foi desligado. Silva não pagou a dívida aos Favoretto.
O terreno tem 108 lotes de mil metros quadrados cada. Os preços dos lotes variam de R$ 3 mil a R$ 10 mil. Os mais caros estão perto da estrada de terra que leva à cidade. Os mais baratos, à beira do rio. Todos os lotes já foram vendidos, mas apenas as seis famílias, que não tinham onde morar, se mudaram para lá.
Nenhum deles sabia que a Prefeitura de Maringá está embargando obras nos 25 condomínios horizontais que existem na zona rural. Segundo o procurador da prefeitura, Otávio Salvadori, esses condomínios são proibidos porque ficam fora do perímetro urbano. Por isso, não podem receber melhorias. Técnicos da prefeitura foram anteontem ao condomínio explicar a situação aos moradores.
As famílias já construíram suas casas, mas até hoje não receberam esgoto, água e luz. A única prova que têm da compra do lote é um contrato feito no Tabelionato Diógenes Pinto, instalado na Avenida Getúlio Vargas, 72, no centro de Maringá. Nenhuma testemunha assinou o contrato. Silva prometeu o registro definitivo dos lotes para esta semana.
Moacir Ferreira dos Santos, casado, três filhos; Waldemariton Guimarães, também casado e com filhos; e Célia Azevedo Marin, grávida de sete meses e mãe de dois filhos, estão usando água do ribeirão Mandacaru para tomar banho e fazer comida.

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