O drama das 120 famílias que vivem às margens do Ribeirão das Antas, no Bairro São Carlos, em Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio), pode estar chegando ao fim. Na semana passada, foi iniciada a construção de 50 casas do Programa Habitar Brasil. As famílias mais prejudicadas pelo esgoto a céu aberto despejado no ribeirão devem ser transferidas de imediato e, até o final do ano, outro conjunto será construído para o restante dos moradores.
Por outro lado, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) iniciou os projetos de canalização do Ribeirão das Antas em toda a extensão de 6 mil metros e está também revitalizando o fundo de vale, além de construir uma lagoa de tratamento de esgoto sanitário, com capacidade para 79,5 mil metros cúbicos, que vai atender 100% da população por 40 anos. O investimento é de R$ 350 mil e o prazo de conclusão das obras é de 10 meses.
‘‘A obra está sendo realizada em convênio com a Fundação Nacional de Saúde (FNS), justamente para reverter a situação drástica em que se encontra o Ribeirão das Antas e para acabar de uma vez com o quadro de verminose da população ribeirinha’’, disse o diretor do SAAE, Nilton De Sordi Júnior. Bandeirantes tem 40% de rede de esgoto instalada.
O Ribeirão das Antas é o foco do problema, levando Bandeirantes a ter o maior índice de casos de esquistossomose e verminose da região. Dejetos das casas vizinhas e até da delegacia são descarregados ali. Informações da Fundação Nacional da Saúde (FNS) apontavam, em 1996, 434 casos de esquistossomose e 2,6 mil casos de doenças causadas por vermes, em cada 10 mil pessoas examinadas.
‘‘Hoje este quadro mudou em cerca de 21%, através de um trabalho básico de conscientização sanitária da população. Acreditamos que, com a remoção das famílias e canalização do ribeirão, Bandeirantes será uma cidade 100% sadia’’, estimou o secretário adjunto da saúde, Vitor Ângelo de Araújo.
Antes da mudança para as novas casas, as famílias que vivem às margens do ribeirão farão exames de fezes para atualização dos índices de saúde. ‘‘Também iremos intensificar os programas de planejamento familiar e assistência pré-natal, visando a redução da mortalidade infantil’’, acrescentou Araújo.
Quanto à água tratada do município, o bioquímico do SAAE, Marcelo Henrique Otênio, diz ser de ótima qualidade. Segundo ele, mensalmente são efetuadas 40 análises da água que chega nas casas. ‘‘Uma análise para cada mil habitantes’’, afirmou.

O P I N I Õ E S
‘‘Esse lugar é amontoado. Quando chove, o esgoto sobe na porta de casa.’’
• Maura do Carmo Araújo, 60 anos, aposentada

‘‘Estamos contentes porque estão olhando pela melhoria de vida dos moradores.’’
• José Carlos Alves,
47 anos, presidente da associação de moradores

‘‘Essa mudança vai ser muito boa para nós. Vamos sair do meio da fossa.’’
• Isaura dos Santos, 50 anos, dona de casa

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