Famílias pedem reabertura de inquérito
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sexta-feira, 07 de maio de 1999
Paulo Pegoraro 
Pais das quatro garotas encontradas mortas no dia 12 de março em uma piscina particular de Cascavel irão segunda-feira ao Ministério Público (MP) solicitar a reabertura do caso, cujo inquérito foi encerrado no final de abril pela polícia, com a conclusão de que tratou-se de asfixia por afogamento. Ontem, os pais revelaram terem obtido a informação de que o Instituto Médico-Legal (IML) não fez necrópsia dos corpos, as vísceras não foram retiradas, o exame de sangue ainda não tem resultado e, além disso, não houve coleta de água da piscina para análise.
As famílias, que são pobres, não aceitam a tese do múltiplo afogamento, inclusive porque duas das garotas sabiam nadar. Elas estão dispostas a autorizar a exumação dos corpos para investigação da possibilidade de que outros fatores tenham levado às mortes. Juliana da Silva e sua prima Jackeline da Silva, ambas de 13 anos, e Eva Caroline Biagi e Franciele Santos, ambas de 12 anos, faltaram à aula no Colégio Polivalente, na tarde do dia 12, para irem à piscina no bairro Canceli (zona norte da cidade), cujos proprietários cobravam R$ 2,00 de cada frequentador.
O casal proprietário da piscina Aires Pereira, 60 anos, e Lídia Pereira, 56, foi enquadrado em homicídio culposo (não intencional), por não haver qualquer equipamento de segurança no local, como bóias ou assistentes aos frequentadores. Naquela tarde, apenas Lídia estava em casa (localizada aos fundos do terreno) e ela disse que só teve contato com as garotas quando elas chegaram. Depois, permaneceram sozinhas na piscina. Cerca de meia-hora depois Lídia teria visto os corpos boiando já sem vida. Ao chegar ao local, um perito concluiu preliminarmente pelo afogamento múltiplo.
A tese foi mantida pelo delegado Nobuo Nagasse, que presidiu o inquérito. Dos corpos, foram coletadas apenas amostras de sangue para exames que deveriam ser feitos em laboratório da polícia, em Curitiba. Os resultados até hoje não apareceram e a única explicação dada aos pais é de que equipamentos do laboratório estão com problemas. O vendedor autônomo Florisvaldo da Silva, 45 anos, pai de Juliana, especula a hipótese que as garotas tenham sofrido algum tipo de intoxicação na água da piscina, ou que alguém as tenha feito ingerir alguma substância letal.
A Folha conseguiu confirmar a informação de que o IML não fez necrópsia dos corpos e, portanto, as vísceras não foram retiradas, porque os legistas consideraram desnecessário. O ex-delegado-chefe da 15ª SDP Osnildo Carneiro, revelou ontem à Folha alguns detalhes de sua intervenção no caso, na tarde e dia seguinte às mortes. Avaliando a grande repercussão do caso, ele havia solicitado ao IML a coleta de sangue e vísceras (com abertura dos corpos), mas isso não ocorreu. Osnildo insistiu e os corpos acabaram sendo retirados do velório, sendo novamente levados ao IML. Mesmo assim não houve necrópsia.
Segundo Osnildo, a conclusão de morte por afogamento é possível sem a abertura do cadáver. A possibilidade de exumação dos cadáveres das quatro garotas é aceita por Florisvaldo e Iolanda da Silva, 33 anos, pais de Juliana, o mecânico Orestes, 41, e Aparecida da Silva, 32, pais de Jackeline, o vigia Valdecir, 37, e Dirce Biagi, pais de Eva, e o pedreiro Francisco, 45, e Gertrudes dos Santos, 52, pais de Franciele.


