Gilson AbreuEleonice e o filho Thiago: ‘‘Cleverson nunca teve arma’’Familiares dos quatro rapazes mortos em Curitiba - acusados de assalto - na madrugada de domingo durante tiroteio com a Polícia Militar, estão revoltados e esperam justiça. Segundo os policiais de plantão, o caso será analisado somente a partir das 12 horas de hoje, quando o expediente da PM volta ao normal.
Cleverson Maciel, 18 anos, Israel Schmitt Alves, 17, Carlos Roberto Viginewski, 21 anos e ‘‘Paulinho’’, 19 anos, receberam tiros na cabeça, tronco e braços. Eles foram conduzidos ao Pronto Socorro do Hospital Cajuru, onde chegaram mortos, e em seguida ao IML.
Segundo a polícia, no domingo à noite, seis rapazes estavam assaltando as pessoas que passavam pela Rua 24 Horas, no centro da cidade. Quando chegou um carro da PM, os rapazes teriam entrado num Fiat Prêmio e fugido. Nove carros da Companhia de Choque da PM foram acionados. Policiais percorreram cerca de 20 quilômetros atrás dos supostos fugitivos.
Nas proximidades do Parque Tingui, zona Oeste de Curitiba, o Fiat Prêmio perdeu o controle obrigando os rapazes a abandonar o veículo. Segundo o tenente Fernando Francischini, que coordenou a operação, eles já saíram do carro atirando.
A polícia revidou e, durante o tiroteio, quatro deles foram mortos num matagal próximo. Outros dois conseguiram fugir no veículo. Segundo a polícia, junto com os mortos foram encontrados três revólveres e uma garrucha.
‘‘É mentira, meu filho nunca teve arma e nem sequer sabia atirar’’, disse a mãe de Cleverson, Eleonice Alves Maciel. Ela é dona-de-casa e mora no centro da cidade com outros dois filhos, Fábio, de 17 anos e Thiago, de 12, na casa onde Cleverson também morava. Ontem, os três estiveram no IML reconhecendo os corpos.
Segundo os familiares, todos os rapazes estudavam, trabalhavam e eram solteiros. O irmão mais velho de Cleverson, que também era amigo das outras três vítimas, disse que eles nunca haviam se metido em confusões com a polícia. ‘‘Esperamos justiça, só isto’’, declarou.
A mãe do rapaz explicou que ele tinha ido passar o final de semana com a avó, no bairro do São Brás, onde também mora a namorada da vítima.
‘‘Eu queria entender por que estes policiais, pagos para proteger as pessoas, saem por aí matando inocentes, sem antes saber quem eles são’’, disse a mãe, revoltada. ‘‘Alguém vai ter que fazer justiça, nem que ela seja feita pelas minhas próprias mãos’’, ameaçou.

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