Eli Fernandes Brito não sabia por onde começar a reconstruir: "Só ficamos com a roupa do corpo. Perdemos tudo, mas graças a Deus conseguimos sair com vida"
Eli Fernandes Brito não sabia por onde começar a reconstruir: "Só ficamos com a roupa do corpo. Perdemos tudo, mas graças a Deus conseguimos sair com vida" | Foto: Fotos: Gina Mardones



O ano novo para alguns moradores do jardim Perobal, na zona sul de Londrina, virou sinônimo de recomeço. Famílias que tiveram as casas danificadas pelas chuvas do feriado, aproveitaram o sol da manhã de quarta-feira (3) para limpar móveis e roupas, lavar quintais e contabilizar o prejuízo.

Mas o pedreiro Eli Fernandes Brito não sabia por onde começar. A casa construída por ele mesmo e na qual vivia com a mulher, filha e o neto de dois anos ficou completamente destruída. Ele lembra que no momento da chuva, por volta das 18h de sexta-feira (29), tirava um cochilo no quarto quando foi acordado pela esposa. "Ela percebeu que a chuva estava entrando e veio me avisar. A água vinha com muita força e só deu tempo de pegarmos nosso neto e correr para a rua. Aí, foi ver minha casa ser destruída em questão de minutos", lamenta.

Dos cinco cômodos da residência, apenas as paredes do banheiro, cozinha e o quarto onde o neto dormia permaneceram intactas. Os móveis, alimentos, roupas, documentos e dinheiro para pagar as contas do mês foram embora. "Minha cama foi parar no terreno ao lado e a cama de solteiro não sabemos onde foi", comenta.

A casa de Brito foi a mais afetada porque fica ao lado de uma espécie de cisterna (depósito para receber e conservar águas pluviais) que estava entupida de lixo. "Moro aqui há 30 anos e uma vez já tinha acontecido isso, derrubando nosso muro, mas dessa vez foi pior. Só ficamos com a roupa do corpo. Perdemos tudo, mas graças a Deus conseguimos sair com vida", desabafa. A família está abrigada na casa vizinha.

Na manhã de quarta-feira (3), funcionários da prefeitura realizavam a limpeza da cisterna. A prefeitura, por meio da assessoria de comunicação, informou que o serviço no bairro está sendo feito de forma manual e que "a secretaria de Obras e Pavimentação está buscando resolver os problemas através da limpeza de bueiros e que o serviço só poderá ser concluído quando as chuvas cessarem". O secretário municipal de Obras e Pavimentação, João Verçosa, está em viagem.

A família de Diego William da Rosa teme a volta da chuva, já que não tem onde buscar abrigo
A família de Diego William da Rosa teme a volta da chuva, já que não tem onde buscar abrigo



ALÍVIO
A poucos metros dali, o servente de pedreiro Diego William da Rosa estava um pouco aliviado por conseguir um fogão e rack através de doações, mas agora está em busca de materiais de construção. Ele precisou quebrar a parede do quarto e fazer um buraco no chão e na parede da sala para escoar a água. "As paredes começaram a rachar e se eu não fizesse isso, minha casa ia desabar", conta.

Rosa mora com a esposa e três filhos e todos estavam em casa no momento da inundação. "Foi tudo de repente. A água começou a arrastar os móveis e começamos a tirar as crianças pela janela", diz. A família está com medo de voltar a chover, pois dizem não ter onde buscar abrigo.

O mesmo medo toma conta da dona de casa Benedita do Carmo Pereira. A água da chuva arrastou o fogão, a pia e derrubou toda a parede da cozinha. "Eu estava em casa e, de uma hora para outra, veio uma enxurrada trazendo barro e entulho. Só me restou ficar dentro de casa gritando por ajuda", lembra.

Além dos eletrodomésticos, Pereira teve prejuízos com o sofá e a cama, que ficaram sujos com a lama. "A vontade que eu tenho é de ir embora daqui porque não consigo esquecer daquela imagem. Não tivemos festa de ano novo porque ficamos o tempo todo tentando recuperar as coisas", comenta.

Na casa ao lado, a dona de casa Maria Aparecida de Oliveira revela que a casa está prestes a desabar. A residência de madeira está tomada por cupim e com o clima chuvoso a estrutura está instável. Ela vive com o marido, filha e neto e também está em busca de doações. "Perdi principalmente alimentos e roupas", conta.

Benedita do Carmo Pereira: "A vontade que eu tenho é de ir embora daqui"
Benedita do Carmo Pereira: "A vontade que eu tenho é de ir embora daqui"



PREVISÃO
A FOLHA noticiou que entre o dia 20 de dezembro e a manhã de terça-feira (2) choveu 347,32 milímetros na região de Londrina, segundo o Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná). Para se ter uma ideia, a média prevista para todo o mês de dezembro era de 205,90 milímetros. Ainda de acordo com o Simepar, de quinta (4) a sábado (6), a previsão é de sol com clima mais seco. Mas a chuva deve voltar a partir de domingo (7).

SERVIÇO:
As famílias precisam de doações de móveis, roupas, alimentos e materiais de construção. Os telefones para contato são: 98418-9332 (Benedita Pereira); 99868-4591 (Eli Brito); 98493-8855 (Diego Rosa) e 99802-4165 (Maria Oliveira).