Moradores dos Jardins Kobayashi e Nova Conquista, na zona leste de Londrina, passaram a maior parte da tarde de ontem consertando os estragos causados pelo temporal do dia anterior. A tempestade, de aproximadamente meia hora, teve rajadas de ventos de até 92 quilômetros por hora, com duração de três minutos. Outro bairro bastante atingido foi o Jardim Califórnia, que também teve muitas casas destelhadas e árvores arrancadas.
Na residência da empregada doméstica Vilma de Souza França, 35 anos, seus irmãos trabalhavam a toque de caixa para terminar de destruir o que o vento deixou em pé, para começar nova construção mais resistente que a original. Vilma perdeu quase tudo: fogão, geladeira, jogo de quarto, utensílios de cozinha, roupas... Na hora da tempestade, estava trabalhando e o seu único filho, Tiago, passa as férias na casa da avó materna, em Irerê. O menino viu a mãe chorando, pela televisão, e pediu para o tio trazê-lo de volta a Londrina. ''Fiquei desesperado com o que vi e achei que a minha mãe tinha se machucado'', contou. Vilma ganha um salário mínimo por mês e se não fosse a ajuda da atual patroa, não saberia como reconstruir a sua casa. ''Gastei cerca de R$ 4 mil para construir o que estava aqui e agora tenho que começar tudo de novo'', destacou.
Na casa da sua vizinha Cláudia de Oliveira Otaviano, 30 anos, o terror foi ainda maior. Grávida, com previsão de o filho nascer no próximo dia 23, estava com o marido e dois filhos em casa. Na tentativa de protegê-los melhor, o marido sugeriu que todos entrassem debaixo da cama. Antes de conseguirem, uma das paredes do quarto caiu sobre ela, machucando as suas costas e o braço direito, além de provocar várias escoriações em um dos filhos. ''Foi horrível e não sei como consegui ficar calma'', afirmou.
A casa também foi destelhada, a família perdeu vários objetos domésticos e até a compra do mês. Eles ainda não têm previsão de quando poderão começar a reformar o que restou. ''Gostaria de estar em casa depois do meu filho nascer, mas não sei se isso será possível'', disse Cláudia. Por enquanto, o ela, o marido e os filhos estão hospedados na casa da sogra da sua cunhada.
Quem puder ajudar, desde de material de construção até mantimentos e roupas, pode ligar para os telefones: 336-1716 (falar com Cleuza) / 337-4416 (falar com Mariza) / 9105-5899 (falar com Valmir de França).

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