Famílias ocupam vale no Córrego Saltinho
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terça-feira, 27 de junho de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Mais uma invasão é registrada em Londrina. Desta vez, famílias ocuparam o fundo de vale do Córrego Saltinho, no bairro Atlântico (Zona Sul de Londrina). Segundo moradores da região, as ocupações começaram na quarta-feira da semana passada. Na segunda-feira, técnicos da Cohab estiveram no local para orientar os moradores de que a área é de preservação permanente e não pode receber moradias.
''Nós entendemos isso, mas eu e minha família não temos para onde ir. Devemos quase R$ 500,00 em aluguel'', justifica Lurdes Arena, 58 anos. Ela, a filha e o genro estão desempregados, e o casal tem quatro filhos. ''Nós morávamos no Parque Ouro Branco (também na Zona Sul). Já tentamos nos inscrever na Cohab, mas não deu certo. Além de que demora muito. Não temos mais como ficar pagando para morar'', afirma.
Situação semelhante é descrita por Carlos Alberto Carvalho, 32 anos, que diz ter dívidas de quase R$ 900,00 entre aluguel e contas de luz atrasadas. Encanador, ele garante que há cerca de um ano está com dificuldade em conseguir trabalho. ''Tenho quatro filhos. Não sei mais o que fazer.''. Ele é um dos moradores que já levantou um barraco, apesar de ainda não ter levado qualquer objeto pessoal. ''Limpei todo o mato dessa área para meus filhos poderem vir, mas já vou ter que mudar'', lamenta. Isto porque a área pertence a uma loteadora da cidade. Ontem, funcionários da loteadora levantaram cercas para delimitar a área particular. Um responsável esteve no local, mas não quis dar entrevista e nem identificar a empresa.
O presidente da Cohab Londrina, Carlos Eduardo Afonseca e Silva, afirmou que por lei a área que margeia o córrego deve ser doada ao Executivo municipal, por se tratar de uma área de preservação permanente. ''As loteadoras devem doar 35% da área para a prefeitura. Via de regra, elas repassam a área de preservação'', esclarece.
Ele ainda afirma que os moradores não deverão permanecer no local. ''Não é uma questão da Cohab, é uma lei. Eles não podem ficar lá. A orientação é que entrem na fila da casa própria e, por hora, voltem para a residência de onde vieram.'' Ele não soube precisar qual o tempo de espera na fila, justificando que depende da situação de cada família. Segundo Afonseca e Silva, ''essas ocupações vão começar a aparecer cada vez mais''.


