Famílias ocupam terreno na zona leste de Londrina
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local
Um grupo de pessoas ocupou um terreno na Rua Prefeito Milton Ribeiro de Menezes, no Conjunto Habitacional Novo Amparo, na zona leste de Londrina. Cerca de 17 famílias estão se instalando no local. Ontem, elas estavam construindo os barracos. A intenção do grupo é concluir as moradias improvisadas até o fim de semana. Os primeiros barracos foram erguidos há 15 dias. A maioria das famílias é da zona leste.
A dona de casa Silvana de Oliveira Sampaio Antunes, de 28 anos, foi uma das primeiras a se instalar no terreno. Em um barraco feito de lona, ela colocou uma cama, um sofá e um armário. Ali, mora com o marido e quatro filhos menores. A família decidiu ocupar o terreno após o proprietário da casa onde moravam de aluguel pedir o imóvel. "Estávamos com aluguel atrasado há dois meses e o dono mandou a gente sair. Não tenho condições de pagar aluguel. Meu marido é porteiro e pode ser demitido a qualquer momento", contou Silvana.
A moradia improvisada não tem luz, água e nem lugar para preparar comida. "A minha mãe e os vizinhos fazem uma marmita e trazem para mim. Aqui, um ajuda o outro", disse. Silvana faz planos para ampliar e melhorar o seu barraco e afirma que não vai sair do terreno invadido. "Só saio daqui quando conseguir uma casa", afirmou.
A dona de casa não tem cadastro na Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), mas a maioria das famílias está na fila há anos, como é o caso de Cassiane Martins dos Santos, de 26 anos. Ela disse que espera há oito anos pela casa própria. "No ano passado, renovei meu cadastrado e a moça lá da Cohab me disse que em janeiro eles iam chamar para a entrevista com a assistente social e até agora nada. Não quero nada de graça. Só quero pagar por algo que é da gente." Ela e o marido, Elias Junior de Souza, de 25 anos, estão desempregados. Ontem, Souza trabalhava na construção do barraco para a família.
O dia também foi de trabalho para o ajudante de pedreiro, Rudi Guilherme da Silva, de 21 anos. Desempregado, ele foi despejado três meses atrás e está vivendo na casa da mãe. Ele está a frente da organização do local. "A chuva atrapalhou um pouco da construção dos barracos, mas acredito que até sexta-feira todos vão estar instalados. Vamos fazer um banheiro e dar um jeito de puxar água e luz", explicou.
Outros barracos devem ser erguidos em uma área próxima à ocupação. "Ali, acho que vão se instalar umas cem famílias", disse Silva. A Cohab informou que ainda está fazendo o levantamento da situação e não soube informar se o terreno é público ou particular.