Famílias ocupam prédio abandonado
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quarta-feira, 06 de janeiro de 1999
Lucinéia Parra 
Duas famílias carentes ocupam há cerca de sete meses o prédio do antigo posto de saúde do Conjunto Champagnat, em Maringá. Uma das famílias morava em Rondônia e ocupa uma parte do prédio, que não tem água e nem energia elétrica. Por causa da ocupação, a Primeira Igreja Presbiteriana Independente de Maringá está impossibilitada de iniciar os trabalhos do projeto Renovo no bairro.
O projeto visa o atendimento de crianças carentes de rua. A igreja conseguiu a concessão de uso do prédio em maio do ano passado mas paralisou as reformas após a ocupação pelas duas famílias.
A família da desempregada Neusa Francisca Nascimento, 34 anos, ocupou uma parte do prédio há cerca de sete meses. Ela, o marido e sete filhos - todos menores - ocupam três cômodos que foram improvisados em quartos e cozinha. No banheiro do antigo posto de saúde é possível apenas tomar banho. Mesmo assim, a água é trazida da casa de um parente, que mora distante cerca de 200 metros.
Conforme Neusa, a família mudou-se para Maringá a convite de um irmão do marido dela. Ele disse que aqui seria melhor porque lá em Rondônia a gente passava fome. O marido de Neusa está desempregado. Ele faz bico e ganha cerca de R$ 10,00 por dia quando consegue trabalho. Na maioria das vezes, ele faz limpeza de fossas ou de terrenos. Neusa também não trabalha. Ela alega que não pode trabalhar porque tem que cuidar dos filhos menores, que ainda não têm idade para frequentar escola.
Sem renda para pagar aluguel ou a prestação de uma casa própria, Neusa afirma que a família não tem para onde ir. Funcionários da prefeitura já estiveram aqui e disseram para a gente ir morar em outro local, junto com outras famílias, mas é muito ruim morar com os outros, então a gente fica aqui mesmo. A maior parte dos móveis que a família usa, segundo Neusa, foi doada por amigos e vizinhos. A outra família que ocupa o prédio ao lado não estava ontem quando a reportagem da Folha esteve no local.


