Familiares do gerente geral do Banco do Brasil de Maringá Oriovaldo Lázaro Brita e do tesoureiro Edelcio Miranda não reconheceram três suspeitos do sequestro realizado segunda-feira, que rendeu R$ 1,5 milhão para a quadrilha. A Polícia Civil apresentou fotos do psicólogo Ademir Martins Leal, que é assaltante de bancos e foragido da Casa de Detenção de São Paulo, e de Jorge Wilians Ades e Sérgio Luiz Azis. Os três participaram de uma ação semelhante em Umuarama, em 1985. A polícia aguarda agora a chegada de fotos de Ademir Bitencourt, que não teve contato com as vítimas mas é suspeito de ser o mentor do sequestro.
A polícia acredita que os bancários ficaram com receio de represálias no caso de confirmarem a participação dos suspeitos. O delegado-adunto da 9ª Subdivisão Policial de Maringá, Roberto Fernandes, disse ontem à Folha que o tesoureiro do banco ficou em dúvida no reconhecimento das fotos. ‘‘Já o gerente disse que os suspeitos não tinham nada a ver com os sequestradores’’, completou. A saída, segundo Fernandes, é localizar os suspeitos e tentar uma confissão.
Os endereços obtidos a partir de uma conta telefônica localizada na casa utilizada pela quadrilha, não acrescentaram nada às investigações. Fernandes disse no entanto que é quase certa a participação do psicólogo Leal e Bitencourt no sequestro. ‘‘Eles fizeram muitos negócios na região antes da ação, e através de pessoas que tiveram contato com o grupo foi possível identificar parte dos integrantes’’, explicou o delegado. A quadrilha comprou telefones celulares, roupas sociais e veículos em municípios próximos a Maringá.
O sequestro começou na madrugada de segunda-feira em Londrina. O gerente do BB de Maringá, Oriovaldo Britta, foi rendido na rua por cinco homens armados e obrigado a voltar para casa. Com a mulher, três filhos e uma sobrinha, Britta foi levado até Maringá, indo direto para a casa do tesoureiro Edelcio Miranda, que também estava com a família rendida. Todos foram colocados dentro de uma Kombi e levados até um barracão abandonado, no centro da cidade. No local o grupo teve que prender um operário que carregava postes.
Enquanto os sequestradores ficaram no cativeiro com os reféns, o gerente e o tesoureiro foram até a agência com a ordem de buscar R$ 1,5 milhão. O dinheiro foi entregue na saída de Maringá para Iguaraçu e as vítimas liberadas por volta das 11h30, quase seis horas depois do início do sequestro.
A polícia só foi avisada depois das 13 horas, porque o banco acionou primeiro a superintendência em Curitiba, que comunicou o fato à Secretaria de Segurança Pública.

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