Cerca de 120 famílias do Movimento Sem Terra ocuparam, na tarde de sábado, três fazendas no município de Terra Rica, a 80 quilômetros de Maringá. A primeira foi a Fazenda Guaricanga, de propriedade de Pedro Dameto, que mora na cidade de Ibitinga, no interior de São Paulo. A segunda, a Fazenda Santo Antonio, é de Joaquim Luis Pereira Brizzo. Eles ocuparam ainda a fazenda São Joaquim, no distrito de Ademar de Barros, de propriedade de Joaquim Miranda Granja.
Estas terras foram consideradas improdutivas, pelo INCRA, que já vem há algum tempo conversando com os fazendeiros. Segundo o morador de uma das fazendas, um dos proprietários obteve junto ao Supremo Tribunal de Justiça uma liminar para que seja feita uma nova vistoria na fazenda. ‘‘Ele discorda da forma com que a vistoria foi feita’’, disse.
Mesmo que a ocupação esteja sendo pacífica, e que o INCRA tenha considerado suas terras improdutivas a presença das famílias na fazenda São Joaquim revoltou o pecuarista Joaquim Granja. ‘‘Isto é um absurdo. Minha fazenda é muito produtiva. Esse negócio de que é improdutiva é conversa’’, disse. Granja calcula que tem mais de 100 famílias acampadas nas suas terras.
O administrador da fazenda Guaricanga, Sebastião Ferreira dos Santos contou que cerca de 10 famílias estão ocupando uma casa da fazenda, mas que os ocupantes disseram que até esta manhã deverão chegar mais famílias que ocupavam outra fazenda.
Santos, que trabalha nesta fazenda de engorda de gado desde 1965, contou que conversou ontem pela manhã com o proprietário Pedro Dameto, por telefone, e que ele pediu que evitassem a violência. ‘‘Ele falou para eu conversar com os sem-terra e que resolva tudo através do diálogo porque ele quer evitar conflito’’. Santos disse que as famílias estavam ‘‘emboladas’’ numa casa pequena, porque estavam sem lonas para armarem barracas, e que a ocupação foi pacífica.

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