Famílias invasoras terão assentamento
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quinta-feira, 13 de novembro de 1997
Lúcio Horta Londrina 
Paulo WolfgangReunião na
Cohab resolveu
impasse no
São LourençoCerca de 50 famílias que invadiram há dois meses uma área do conjunto São Lourenço, zona sul de Londrina, serão assentadas em terreno da própria Prefeitura, localizado no mesmo bairro. A decisão saiu ontem à tarde numa reunião entre os moradores e a Cohab-Ld, na sede da companhia.
Foram os próprios moradores que propuseram a mudança, de manhã, depois que a Cohab ofereceu como opção o assentamento do jardim Olímpico 2, na zona oeste. Os moradores consideraram que o Olímpico 2, além de ser muito distante, traria dificuldades para as crianças que estão matriculadas em escolas do São Lourenço.
A Cohab consultou a Prefeitura sobre a disponibilidade do terreno, que concordou com a solução. Segundo o presidente da Cohab, Wilson Mandelli, após um levantamento foi constatado que dos 86 barracos da área, apenas 46 estavam ocupados. Essas são as famílias que, efetivamente, precisam de moradia, que são necessitadas.
As 46 famílias foram cadastradas e foi feito um amplo levantamento para saber se já tinham participado de outras invasões ou possuíam algum terreno ou casa no nome delas. O levantamento mostrou que elas nunca tiveram bens imóveis e também não estiveram em outros assentamentos, informou Mandelli.
As famílias deixarão a área invadida hoje, a partir das 6 horas da manhã. Atendendo requisição da Justiça, a Cohab colocará à disposição das famílias quatro caminhões e pessoal suficiente para ajudá-las na mudança. A nova área, segundo Mandelli, fica ao lado do terreno invadido. Depois que as famílias se instalarem, a Cohab fará a divisão dos lotes, pelos quais irá cobrar de R$ 15 a R$ 18 por mês. Mandelli ainda não tinha informações sobre o tempo de financiamento dos lotes.
Para o presidente da Cohab, a solução encontrada não incentiva novas invasões na Cidade. O que fomenta as invasões são pessoas como as que construíram barracos na área do São Lourenço, mas não estavam no local. São os especuladores, que negociam lotes públicos, e os quais estamos combatendo.
A pressa em arrumar um local para assentar as famílias surgiu depois que o juiz da 9ª Vara Cível de Londrina, Fábio Della Vechia, atendendo pedido de liminar da própria Cohab, determinou para ontem a reintegração de posse na área invadida no São Lourenço. A Cohab e a própria Prefeitura tentaram fazer com que o juiz adiasse a decisão, pelo menos até sexta-feira, para que uma solução menos traumática fosse encontrada. Mas o juiz não concordou e oficiou a Cohab para que providenciasse caminhões e, com eles, fosse feito o despejo das famílias.
O temor da Prefeitura e da própria Cohab era que a reintegração acabasse em conflito entre sem-teto e Polícia Militar (PM), caso ela ocorresse antes de uma solução definitiva para o problema. Foi uma falta de responsabilidade do juiz. Acho que ele é uma pessoa sem coração, que viu só o lado do poder que ele tem e não o lado das pessoas que estavam se mandando para a rua, criticou Marcos Aureliano Rodrigues, morador e um dos líderes do assentamento no São Lourenço. Com o novo acordo, as famílias devem sair pacificamente ainda hoje da área invadida, mesmo que haja presença do oficial de justiça.
A intenção da Cohab é sempre não prejudicar ninguém. Nós temos que ter flexibilidade quando tratamos com pessoas humanas, observou o assessor social da Cohab, Humberto Rodrigues. Ele conta que a companhia chegou a pensar em assentar as 50 famílias na Fazenda Refúgio, que fica também ao lado da área ocupada no São Lourenço, mas o setor jurídico não recomendou essa solução, já que a área ainda está sub judice.


