Famílias invadem terrenos na zona norte
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segunda-feira, 04 de agosto de 2003
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Cerca de vinte famílias ocuparam ontem quatro lotes no Conjunto Vivi Xavier (zona norte de Londrina), após a confusão ocorrida domingo no bairro, quando uma briga de vizinhos motivou a invasão de um terreno por moradores da região. As famílias alegam que teriam negociado a divisão dos lotes com a Companhia de Habitação (Cohab). O presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca, no entanto, negou que tenha havido negociação. De acordo com o tenente Rogério Martins Ribeiro, a Polícia Militar (PM) esteve no local no início da noite de ontem e teria convencido as famílias a desistirem de construir nas áreas. Até ontem eles haviam somente iniciado a limpeza e a demarcação dos lotes.
Segundo Afonseca, os lotes são reservados como área verde do bairro e só podem ser utilizados para construção de praças ou áreas de lazer. O presidente destacou também que todo loteamento tem a obrigação legal de reservar 35% da área para uso público, com construção de ruas, praças, áreas de lazer, escolas, hospitais e creches. Ele descartou a possibilidade de motivação política na ocupação. ''Acredito que nenhum candidato a prefeito ou vereador teria esta visão bárbara, com intenção de prejudicar a cidade de Londrina'', disse.
No domingo, o primeiro lote, na esquina das ruas David Nasser e Antonio Jacob Filho, havia sido ocupado por alguns vizinhos. O terreno fica ao lado da casa de um comerciante, que por jogar tinta óleo no carro de um vizinho, causou revolta na vizinhança.
De acordo com o pedreiro Amarildo Rodrigues, 34 anos, o motivo da ocupação foi também o abandono do local. Apesar de estar cercado, o comerciante não cuidaria do cultivo. ''Este terreno baldio é perigoso para a vizinhança. Junta animais aqui. Até mosquito da dengue já teve por causa do abandono'', afirmou. Segundo o pedreiro, a maioria das famílias com intenção de ocupar os terrenos teria dificuldades para pagar o aluguel ou morar de favor na casa de parentes.
À tarde, o pintor Renato Passos, 23 anos, afirmou que pretendia construir uma casa para morar com a esposa e a filha de dois anos num dos terrenos. ''Eu estava morando na casa da minha mãe. Quero ter um lugar para a minha família. Eu concordaria em negociar com a Cohab para pagar, se as prestações fossem poucas'', declarou.
O aposentado Jovino de Oliveira, 77 anos, é vizinho de um dos lotes. Há 22 anos, mora na mesma casa. Hoje, além da esposa Zilda, 76, um filho e três netos também vivem no local. A família toda é sustentada pela aposentadoria de um salário mínimo de Jovino. No terreno, ele cultiva milho, banana e mandioca para consumo próprio.
Para a assessoria de imprensa da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), a ausência de praças nos locais previstos é responsabilidade também de várias administrações anteriores. Informou também que está fazendo um planejamento para resolver este problema. Segundo a assessoria, a capina dos terrenos baldios é feita em média a cada quatro meses.


