Um grupo de 40 famílias ocupou um terreno de aproximadamente 30 mil metros quadrados da Loteadora Tupy, entre os jardins Itapuã e Franciscato, na zona sul de Londrina. Ontem alguns barracos já estavam erguidos e várias pessoas trabalhavam no local, carpindo ou construindo as novas moradias. Segundo um dos líderes do grupo, o enfermeiro Leonel Serafim Baião, a intenção de todos é negociar com os proprietários uma forma de pagamento dos terrenos. A invasão começou no último sábado.
‘‘Queremos sentar e conversar com o dono do terreno. Não queremos nada de graça’’, garante Baião, que já ergueu as paredes da nova casa, onde pretende morar com a mulher e três filhos. Ele conta que a família estava residindo em um dos cômodos da casa de seu sogro. ‘‘Ganho R$ 229,00 por mês, mas se precisar, pago para ter o terreno.’’
O pedreiro desempregado José Pereira de Melo chegou ao local ontem com a mulher e sete filhos – entre eles um bebê de dois meses. ‘‘A gente está morando numa casa alugada no Perobal. Mas o aluguel (de R$ 100,00) está atrasado já faz quase seis meses. Também não está dando para pagar água e luz. Só na Sanepar tenho uma dívida de R$ 590,00. Não tem outro jeito’’, diz Melo.
A poucos metros, pacientemente, como se estivesse montando um quebra-cabeça, a dona de casa Maria Madalena Felix dos Santos construía sozinha o barraco onde pretende morar com o marido e o filho de cinco anos. Com dificuldade por causa da deficiência auditiva, Maria Madalena conta que a família mora com sua mãe em um cômodo no Jardim Franciscato. ‘‘Um dia meu marido me ajudou, mas no outro teve que ir trabalhar’’, afirma, entre uma e outra martelada nas tábuas que aos poucos iam compondo as paredes da residência.
Um dos proprietários do terreno e sócio da Loteadora Tupy, João Dib Abussafi, diz que esteve no local e avisou aos invasores que não devem fazer nenhuma benfeitoria, pois logo serão retirados. Segundo Abussafi, a loteadora já entrou com pedido de reintegração de posse na Justiça e espera fazer a desocupação ainda hoje.
O empresário afirma que não pode negociar com as famílias sem a aprovação da Secretaria de Obras. ‘‘Há cerca de dois anos, bem perto dali, já houve uma invasão e nós tivemos que promover o despejo. Aquela região é complicada’’, diz Abussafi.

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