Mário CésarDesamparoLondrina registrou duas invasões de terrenos públicos durante o Carnaval. Entre os
invasores, a maioria é de mulheres e jovens. Os barracos de madeira e lona plástica são erguidos numa área sem água, luz nem qualquer infra-estruturaCerca de 25 famílias ocuparam, na madrugada de domingo, um terreno baldio entre o Jardim São Rafael e as vilas Fraternidade e Ricardo, na zona oeste de Londrina. Segundo os invasores - que alegam estar desempregados ou não poder continuar pagando aluguel -, a área pertence à Prefeitura e vinha servindo como depósito de entulhos e esconderijo para ladrões há quase dez anos.
O terreno invadido fica próximo ao fundo de vale do córrego Água das Pedras e não conta com rede de esgoto, água encanada e nem energia elétrica. Esta foi a segunda ocupação de área pública ocorrida na Cidade durante o período de Carnaval. No sábado, outras 15 famílias haviam invadido o fundo de vale no Jardim Hilda Mandarino (zona norte).

Mário CésarElisângela arma o barraco para morar com um filho pequenoDevido ao feriado, a Folha não conseguiu localizar - no sábado e novamente ontem - o secretário municipal de Assuntos Jurídicos, Eduardo Duarte Ferreira, para falar sobre as invasões. A Prefeitura e a Companhia de Habitação de Londrina só voltam a funcionar amanhã à tarde.
Na área invadida, ontem foi um dia de trabalho duro. Famílias inteiras - mas notadamente mulheres e jovens - carpiam, roçavam, demarcavam os terrenos e arguiam os barracos de madeira e lonas plásticas. Além das 25 famílias que entraram no domingo, outras 30 chegaram ao local ontem. A área foi dividida - com barbante e arame - em 57 terrenos com 200 metros quadrados cada um.

Mário CésarIsabel Carneiro foge, com três filhos, do aluguel‘‘Vim para cá porque estou desempregada e não aguento mais pagar o aluguel de R$ 128,00. Vamos negociar com a Prefeitura um jeito de pagar o terreno em parcelas. Com o tempo, vamos melhorando o barraco’’, comenta a doméstica Isabel Carneiro, que é separada e tem três filhos pequenos.
A costureira Elisângela Regina Oliveira, solteira e com um filho pequeno, participa da ocupação porque não pode continuar morando na casa de uma tia: ‘‘A casa era apertada e estávamos incomodando meus parentes. Como o meu salário é baixo - R$ 235,00 - não conseguiria pagar aluguel e criar o meu filho. Então, a única opção foi vir levantar este barraco.’’

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