Famílias invadem Mercado Mundo Mix
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domingo, 14 de setembro de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Depois de sete anos, o Mercado Mundo Mix (MMM) voltou a Curitiba com uma proposta diferente. Antes um programa voltado para a cena ''underground'', composta principalmente por um público GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), desta vez foram as famílias que lotaram os corredores da feira realizada neste final de semana no Centro de Criatividade do Parque São Lourenço.
Para o criador do MMM, Beto Lago, o público estimado em seis mil pessoas era formado por pessoas modernas, em grande parte artistas e formadores de opinião. ''A nossa idéia ainda é mostrar o que existe de vanguarda, novidades e produtos exclusivos. Nossos carros-chefes são a moda e o entretenimento. Mas até o local deixou de ser fechado, escuro, alternativo. Procuramos um espaço aberto, bonito e com boa estrutura e vai ser assim daqui para a frente'', conta.
Grafiteiros, DJs, músicos, estilistas, artesões e artistas plásticos expuseram seus trabalhos nos estandes da feira. Mas, apesar das várias opções, foi o filho quem puxou a aposentada Maria Lucia de Carvalho Coelho, 64 anos, para o evento. Apesar de ter gostado do clima e das pessoas, ela reclama que só encontrou peças de roupas voltadas para pessoas jovens e magras. ''Tem muitas peças que usávamos no meu tempo de mocinha e agora voltaram à moda'', afirma.
Já o artista plástico Elgson Lorenço levou os filhos e até o cachorro. Ele, que já frequentava o MMM nas edições anteriores, recebeu bem a mudança de proposta. ''Já tinha levado meus filhos outras vezes, mas algumas performances não eram legais. Hoje é mais programa de família'', justifica. Apesar de terem achado os preços um pouco caros, a filha de 16 anos já tinha garantido uma camiseta e o filho, de 11 anos, também pedia o seu presente.
Foi o clima tranquilo que atraiu o fotógrafo e professor universitário André Zielonka a levar a filha Mahaila, de apenas cinco meses, para a feira. ''Gostei de vir passear com a família justamente por ser um programa diferente e, por ser um ambiente aberto, não tem aquela fumaça de cigarro que poderia fazer mal para a neném'', conta.
Já o gerente de bar Luizão Evolution achou que faltaram componentes para tornar o evento ainda mais rico. ''Eu vejo muita coisa interessante na rua que poderia estar presente aqui. Acho que faltou a organização procurar um pouco mais estes elementos'', explica. Daniel Persona, fotoartista expositor do evento, passeva pela feira mostrando seu trabalho de composição de rostos com a máquina fotógrafica.
Apesar de não haver edições do MMM desde 2001 em Curitiba, o evento continuou em outros lugares e virou sucesso em Portugal, com um público de até 19 mil pessoas. A edição de retorno trouxe 45 marcas, sendo 22 de Curitiba com uma venda esperada de cerca de R$ 150 mil. Mas Beto Lago espera que nas próximas feiras na Capital paranaense, já pré-agendadas para o primeiro e segundo semestre de 2009, 80 estilistas participem e 10 mil pessoas visitem o espaço.


