Famílias invadem mais um terreno particular
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segunda-feira, 13 de outubro de 1997
Londrina 
Josoé de CarvalhoHomem trabalhandoO pedreiro aposentado Sebastião de Souza, no jardim Franciscato: construção de casa em área invadidaBem perto do terreno ocupado no fundo do São Lourenço, cerca de 30 famílias invadiram nas últimas semanas uma área que, segundo a Cohab, é de propriedade particular. O terreno - comprido e estreito - fica entre os jardins Franciscato e Cristal (zona Sul). Nem os sem-teto, nem o diretor técnico da Cohab, Heleno Solano Rabello, sabem identificar o dono da área.
Nossos técnicos estiveram por lá e viram a invasão, mas como se trata de propriedade particular, não vamos interferir, diz Rabello. Existem, espalhadas por todas as regiões da Cidade, várias pequenas áreas particulares ocupadas por barracos de famílias sem-teto. Mas não há como precisar o número dessas invasões. Já o número de terrenos públicos ocupados subiu para 36 com a invasão do terreno da Cohab no São Lourenço. São 19 áreas próximas a conjuntos habitacionais e passíveis de urbanização e 17 em fundos de vale, impróprias para a construção de moradias de acordo com a legislação federal.
O servente de pedreiro aposentado Sebastião Anastácio de Souza, 72 anos de idade, veio de Minas Gerais - onde trabalhava na agricultura - para Londrina há 27 anos. Aqui, ele ajudou a construir centenas de casas e prédios, mas nunca teve casa própria. Casado pela segunda vez e pai de um rapaz excepcional, ele se mudou há duas semanas para um barraco da ocupação ao lado do jardim Franciscato, porque não aguentava mais pagar aluguel.
Ele se diz feliz por estar, enfim, levantando a própria casa. Ela será de tijolos e vai ter 24 metros quadrados, dividios em cozinha, banheiro e quarto. É tudo pequenininho, apertado, mas vai ser meu. É bem melhor que gastar todo dinheiro da aposentadoria no pagamento de aluguel.
O aposentado - assim como outros invasores - afirma que o terreno onde levanta a casa pertence à Cohab. Veio aqui um rapaz moreno, funcionário da Cohab, que orientou a gente para fazer a construção direitinho. Ele falou que assim, não sendo barraco de lona, fica mais fácil para a gente legalizar depois, conta Sebastião. O diretor da Cohab, Heleno Rabello, nega essa informação. Garanto que nenhum funcionário nosso daria este tipo de orientação. Até porque aquele terreno é particular e não vamos intermediar a negociação em hipótese nenhuma.
(Osmani Costa)


