Famílias invadem fundo de vale na zona norte
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de março de 1998
Lucilia Okamura 
Mais uma invasão de sem-teto em Londrina. Desta vez, 14 famílias ocuparam, anteontem à noite, um fundo de vale na avenida da Igualdade, esquina com a rua da Sorte, no conjunto Rui Virmond Carnascialli (zona norte). Os invasores garantem que não saem do local e que na segunda-feira começam a erguer barracos de madeira.
Ontem de manhã, a zeladora Laurinda Marta, 29 anos, cortava o mato e tentava montar uma barraca de lona, com a ajuda dos quatro filhos. Eu ganho R$ 130,00 e com esse dinheiro não dá pra pagar aluguel. Ela conta que morava com a mãe no bairro, mas a casa era pequena para abrigar todos.
História semelhante é contada pelo servente de pedreiro Marcelo Nazaré de Pedroso, 25 anos. Casado e pai de duas filhas, ele conta que morava com a mãe no parque Ouro Verde (zona norte). Não tinha como ficar lá, por isso resolvi invadir esse lugar, revela. Segundo ele, na segunda-feira tem início a construção das casas.
Apesar de não contar com nenhum tipo de infra-estrutura (como água e energia elétrica), Marcelo Pedroso acredita que dá para morar no local. Ele espera contar com o apoio da Prefeitura e afirma que a invasão tem a aprovação dos moradores da avenida. Acho que é melhor ter a gente aqui porque, pelo menos, podemos tirar esse mato todo, observa.
A dona de casa Luzinete Rosa dos Santos não concorda. Isso aqui não é lugar pra eles morarem e se ficarem por aqui, vai criar problemas pra gente, critica.
A vizinha de Luzinete, Albertina Cedinéia, acredita que parte da culpa da invasão é da Prefeitura, que não cuida do fundo de vale. Segundo ela, o local é utilizado constantemente como refúgio de bandidos.
O prefeito Antonio Belinati (PDT) evita comentar se a invasão é reflexo da decisão do juiz da 7ª Vara Cível, José Cichocki Neto. Na semana passada, o juiz indeferiu liminar para reintegração de posse de famílias de sem-teto que ocuparam terreno na zona leste. Para indeferir o pedido, Cichocki Neto alegou, entre outros itens, que os invasores foram motivados por necessidades sociais prementes.
Antonio Belinati comentou que é dever da Prefeitura ingressar na Justiça com ação de reintegração de posse toda vez que um terreno público é invadido. Senão vira bagunça, observa.


