Famílias invadem fundo de vale
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quinta-feira, 06 de maio de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
A chuva e o frio dos últimos dias não foram obstáculo para dezenas de famílias que invadiram uma área nos fundos do Jardim São Marcos (Zona Sul). De pouco mais de meia dúzia de barracos do final da semana passada, quando a área começou a ser ocupada, hoje já são mais de 25 e não pára de chegar gente. Ontem pelo menos duas novas moradias estavam sendo improvisadas com lonas e papelão.
As dificuldades enfrentadas pelos novos moradores não são pequenas. Eles estão sem energia, água potável e até o acesso ao local é precário e se resume em uma trilha no meio da mata, cujas árvores menores começam a rarear por conta das necessidades de construção.
''A gente pega água do rio mesmo, fazer o quê?'', afirma Tatiane Cândido, 17 anos, cujo barraco mostra que ela veio para ficar. A casa de Tatiane é uma das poucas com assoalho e telhas. Uma cerca já está sendo construída em volta para delimitar o espaço.
Assim como Tatiane, boa parte das famílias morava na vizinhança. É com os parentes e amigos próximos que eles se viram para tomar um banho, armazenar comida e até pernoitar quando o frio aperta. A esposa de Sérgio Donato, 23 anos, por exemplo, continua morando com a mãe dele no conjunto vizinho. ''Por enquanto não dá para trazer'', diz.
O objetivo de Donato é melhorar o barraco, ainda de lona, para trazer o resto da família. ''Começamos há pouco tempo e ainda não deu para melhorar a estrutura'', afirma. Segundo ele, depois de não conseguir pagar aluguel, a família mudou-se para casa da mãe. ''Mas lá já tem três casas no quintal e não dá mais para aumentar'', afirma.
História semelhante é contada por Elizeu Roque, 24 anos. Até pouco tempo ele morava com a sogra. ''Seria bom se saísse (um conjunto) aqui, pois todo mundo mora por perto.''
A Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina já afirmou que não vai apoiar a iniciativa e nos próximo dias vai entrar com pedido de reintegração de posse da área. Segundo o presidente da companhia, Carlos Eduardo Afonseca, a região invadida pelos moradores não é edificável. ''O próprio São Marcos até hoje não teve o projeto aprovado por conta dos problemas de estrutura e ali será outro problema'', diz.
Por problemas de infra-estrutura leia-se declividade acentuada, proximidade com um córrego, área de mata ciliar de preservação permanente e solo pedregoso. ''A política da Cohab é não aceitar invasões, se a pessoa quer ter uma casa precisa se dirigir até a companhia para fazer um cadastro'', finaliza. Segundo ele, técnicos da Cohab visitaram a ocupação para cadastrar as famílias.


