Famílias invadem fundo de vale
O fundo de vale do Jardim dos Campos, no Conjunto Maria Cecília (zona norte de Londrina) foi invadido por 16 famílias, na madrugada de quarta-feira. A área fica ao lado de um campo de futebol abandonado e próxima de outra região já invadida anteriormente, onde foram construídas dezenas de residências. As famílias retiraram grande parte dos entulhos que vinha sendo depositado no local e começaram a erguer os barracos.
Aqui há famílias que perderam o emprego e não têm mais como pagar aluguel, disse Sérgio Alves dos Santos, que mantém a família fazendo bicos como segurança. Pai de uma garota de dois anos, ele afirma que está com o aluguel de R$ 180,00 atrasado há três meses e teve que desocupar o imóvel, amontoando os móveis da família em um cômodo emprestado por amigos. Se a gente puder ficar aqui, vai ser muito melhor para quem mora na região, porque a área tem servido de depósito de lixo.
Os invasores garantem que não pretendem construir uma favela no local, e sim casas de alvenaria. Até ontem, eles conseguiam manter o grupo fechado nas 16 famílias, o que é fundamental, segundo elas, para manter a ordem e não precisar invadir o campo de futebol. Não queremos briga, só um lugar para ficarmos quietos, disse Regina Alves dos Santos.
Josoé de CarvalhoRegina: Não queremos briga, só um lugar para ficarmos quietosO diretor-presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), Assad Jannani, afirmou que estas famílias estão apenas ampliando uma invasão antiga que, por estar localizada em um fundo de vale, é problema a ser resolvido pela prefeitura, através da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). Além disso, Jannani explicou que a atual política da Cohab é bem clara: não vai mais atender a novas invasões. Daqui para a frente, a idéia é regularizar os antigos assentamentos e dar prioridade para a construção de moradias, através do Projeto Renascer.
Não estamos insensíveis ao problema da habitação, mas sabemos que a maioria dos invasores usa este artifício para especular, disse Jannani. Ele disse que a Cohab dará prioridade àqueles que a procuram e aguardaram na fila pela solução do problema.
O diretor-presidente da AMA, Mauro Maggi, disse ontem que fiscais da autarquia estiveram no local e constataram ser uma área de preservação ambiental. As famílias foram informadas que não podem ficar no terreno. Agora, a transferência para outro local é de competência da Cohab, disse Maggi.Josoé de CarvalhoMoradiaFamílias começaram ontem mesmo a erguer os barracos: AMA informa que elas terão de deixar áreaSilvana Leão





