Lindoeste Um grupo composto por cerca de 50 famílias invadiu uma propriedade de 274 alqueires, nas proximidades de Lindoeste (50 km ao sul de Cascavel), na madrugada do último domingo. Os invasores alegam pertencer ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e garantem que lutarão para ficar com as terras que afirmam ser improdutivas. A coordenadoria do MST nega a ligação.
De acordo com um dos líderes da invasão, Adir Correia da Silva, 30 anos, as famílias são provenientes de municípios próximos à área invadida. Ele explicou que há alguns meses já planejavam ocupar uma área na região, pois estavam sem emprego e com dificuldades para ''colocar comida em casa''. ''Todo mundo tem direito a um pedaço de terra. Estamos aqui porque precisamos sobreviver'', argumentou.
O agricultor declarou que a área foi escolhida porque o proprietário Lino Martini não estava plantando, somente criando gado. Ele completou que ainda esta semana as famílias começarão a plantar. ''No começo vamos plantar mandioca e feijão. Nossas crianças estão com fome e precisamos de algo para comer.''
Correia disse que o dono da fazenda esteve no local conversando com os invasores. Segundo ele, Martini teria intenção de negociar a terra com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Porém, um empecilho poderá ser o preço pedido pelo fazendeiro, cerca de R$ 12 mil por alqueire. ''Só o fato de ele querer vender, mostra que a terra está improdutiva. Vai depender da boa vontade do Incra.''
Correia disse que a Polícia Militar também esteve na fazenda, mas que não tomou qualquer atitude no sentido de retirá-los. Ele garantiu que os invasores não possuem armas, mas estão preparados para ''brigar pela terra''. O comandante da PM de Cascavel, tenente-coronel Amauri Ferreira de Lima, informou que esperam um posicionamento da Justiça sobre o caso para tomar uma atitude.
O gerente do escritório do Incra em Cascavel, Valdecir Felipetto, preferiu não se pronunciar alegando desconhecer a invasão. Ele está de férias. O dono da fazenda não foi encontrado.
Segundo Celso Ribeiro, coordenador regional do MST, as famílias foram expulsas do movimento por estarem negociando terras que receberam do governo federal.

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