Famílias invadem casas na Zona Sul
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de agosto de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Das 241 casas construídas pela Companhia de Habitação de Londrina (Cohab/Ld) no Conjunto Jamile Dequech (Zona Sul), pelo menos quatro estão ocupadas irregularmente por famílias que afirmam não ter outra opção de moradia. Com isso, duas famílias contempladas ainda não puderam assinar o contrato e receber as chaves do imóvel. A Cohab, que ainda tem mais 23 unidades sendo construídas no local, admite a dificuldade de controlar as invasões e o comércio dos imóveis por parte dos proprietários.
A primeira a ocupar irregularmente uma casa do programa foi a diarista Cleusa Macegoza da Rocha, 38 anos. Até quatro meses atrás, ela morava com a filha e o neto no Jardim Franciscato e pagava R$ 120,00 de aluguel. Atualmente, diz não ter mais condições de arcar com esta despesa. ''Minha filha se mudou e eu tive que ficar com meu neto de 10 meses. Agora não posso mais nem trabalhar, e o salário mínimo que ela manda mal dá para as despesas com o bebê.''
Cleusa afirma que já foram feitas várias tentativas de negociação por parte da Cohab, mas que as ofertas feitas não a convenceram. ''Me ofereceram um terreno no Jardim Maracanã, só que eu não quero, é um lugar muito perigoso. Sei que quem comprou a casa precisa dela, mas eu só estou aqui por pura necessidade'', argumenta. Segundo a diarista, 33 casas estão vazias. ''Tem casa que o dono nunca apareceu, outras estão sendo vendidas.''
Na casa ao lado da ocupada por Cleusa está Márcio Giroto, 26 anos, com a mulher e uma filha de 1 ano. Anteriormente a família já havia morado 45 dias em outra unidade e teve que sair a pedido da Cohab. ''Estamos nesta casa há umas duas semanas, e se tiver que sair, vamos ocupar outra. Já viemos de um fundo de vale, onde a gente também não podia ficar. Não temos para onde ir'', informa Giroto, que está desempregado e vem sustentando a família fazendo 'bicos'.
De acordo com o diretor administrativo e financeiro da Cohab, Augusto Dias Junior, a companhia não tem controle de quantos proprietários ainda não estão morando em suas casas. ''Com exceção das duas casas que temos conhecimento da invasão, todas as outras já estão com contrato assinado e com as chaves em poder dos proprietários'', esclarece Dias Junior. Segundo ele, a Companhia procura fazer um monitoramento para evitar que as famílias recebam o imóvel e não ocupem, ou então tentem passá-lo para frente. ''Mas não temos como manter fiscais o tempo todo lá.''
Além disso, o diretor explica que a retomada pela Cohab de uma das casas do programa é muito difícil por causa da burocracia. ''Estas construções receberam um subsídio de 50% da Caixa Econômica Federal, a fundo perdido, e cada mutuário assinou dois contratos, um com a Cohab e outro com a Caixa'', detalha. Ainda de acordo com Dias Junior, 8,5 mil pessoas estão inscritas atualmente na Cohab à espera de um imóvel. ''O País todo convive com um problema crônico de falta de moradia'', pondera. No primeiro semestre deste ano o município entregou 448 casas e até o final do ano deverão ser entregues mais 964.


