Israel Reinstein
De Curitiba
Seis homens sem identificação e três policiais da Guarda Municipal tentaram ontem desocupar pela segunda vez um terreno da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab-CT), invadido na última sexta-feira. Os representantes da Prefeitura de Curitiba pretendiam retirar cerca de 60 pessoas de 20 famílias de uma área da Cohab, na região da Ferrovila, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).
Os manifestantes reocuparam a área duas vezes. No sábado, a Guarda Municipal, com a presença de supostos funcionários da Cohab, retiraram e queimaram os barracos das famílias. No fim da tarde do mesmo dia, eles retornaram ao local, demarcando seus terrenos. O local invadido seria destinado a abrigar outras 22 famílias, retiradas anteriormente pela Cohab, que estão aguardando a regularização dos imovéis pela prefeitura.
Ontem, a retirada dos manifestantes estava programada para as 15h30, mas foi abortada com a chegada da imprensa. Sem dar os nomes, seis pessoas se apresentaram como funcionários da Cohab, que realizavam serviços gerais e de limpeza nos terrenos da prefeitura. Junto com eles, estavam três guardas municipais, que haviam retirado de seus uniformes os nomes, presos com velcro. Irritados com os jornalistas, os supostos funcionários da Cohab saíram do local em um Gol branco, placa ABI 5075, de Curitiba, e um Escort, CBB 0966, de São Paulo, acompanhado por uma viatura da Guarda Municipal, de placa AHL 7201.
De acordo com os invasores, foram os funcionários descaracterizados que destruíram os barracos e queimaram seus pertences. ‘‘Alguns deles estavam armados e ameaçaram atirar na gente se ainda estívessemos no local’’, afirmou Luiz Fernando Andrade, um dos invasores. Ele contou que essas pessoas chegaram a usar a força contra eles.
‘‘Estava com minha filha no colo e por pouco não fui jogada ao chão’’, contou Fabiana de Oliveira, uma das invasoras. Ela disse que resolveu ocupar o terreno, por não conseguir mais pagar o aluguel. ‘‘Eu e meu marido estamos desempregados e o aluguel cobrado é de R$ 120,00, dinheiro que não conseguimos mais juntar’’, comentou. Inscrita na fila da Cohab há um ano, ela disse que a prefeitura ‘‘virou às costas’’ para eles.
‘‘A situação está um desastre e a prefeitura não pode tratar a gente dessa maneira’’, reclamou a aposentada Romana Moreira de Jesus. Ela contou que quase todos os seus pertences foram queimados pela guarda e os funcionários da Cohab. ‘‘Até minha comida foi para o fogo’’, disse ela, que é mãe de quatro crianças.
Joraci Aparecida Padilha reclamou que a prefeitura não pode apenas destruir os barracos e lonas, sem deixar nenhumm alternativa. ‘‘Estou aqui, porque não tenho ondem morar’’, chorou.

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