Famílias invadem área de preservação
Telma Elorza
De Londrina
Cerca de 30 famílias ocupam, desde quinta-feira, um fundo de vale no Conjunto Aquiles Stenghel, zona norte de Londrina. A área invadida fica às margens do Córrego Sem Dúvida, no final do assentamento do Jardim dos Campos. As famílias já dividiram os lotes e afirmam que não vão sair do local. Elas querem que funcionários da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) visitem a área e façam a regularização.
Segundo o pedreiro Mauro Borges Soares, 30 anos, um dos coordenadores da invasão, todas as famílias que estão lá não têm condições de pagar aluguel. Eu mesmo estava morando com minha sogra no Conjunto Luís de Sá. Todos aqui estão vivendo uma situação difícil e precisam de um lugar para morar, afirmou.
O pedreiro disse que a invasão foi pacífica e que tiveram cuidado de ficar só em áreas da prefeitura. Tem um loteamento aqui do lado mas já conversamos com o proprietário e não vamos invadir ali.
O soldador Jair Caetano Bitencourt, 42 anos, também ajudou a organizar a invasão, embora ele não esteja entre os sem-teto. Eu vim ajudar porque vi a situação deste povo. Aqui, a gente só está deixando ficar quem realmente precisa, nada deste pessoal que pega o terreno para depois vender, explicou. Segundo Bitencourt, os invasores são, na sua maioria, pessoas que estavam morando de favor na casa de parentes no Jardim dos Campos. Eu estava com um cunhado, a mulher e cinco filhos deles lá em casa porque eles não tinham pra onde ir.
Para a doméstica Nilcina Ferreira, 23 anos, a invasão era a única forma de conseguir um local para morar com a filha de sete anos. Eu estou morando com a minha mãe, mas lá já tem muita gente, alegou. Solteira e recebendo R$ 136,00 por mês, Nilcina Ferreira disse que não tem condições de pagar aluguel.
Até domingo, os barracos construídos eram os mais toscos possíveis, feitos com galhos de árvores e cobertos por lona. A gente quer conversar com o pessoal da Cohab, mas se demorarem, vamos começar a fazer os barracos esta semana mesmo, afirmou Soares. E garantiu: Daqui a gente não sai.
O presidente da Cohab, Assad Jannani, disse que a área invadida não é da prefeitura. Apesar disso, como a ocupação está em um fundo de vale, estaria comunicando ontem a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente para que tomem as devidas providências.
O diretor-presidente da AMA, Rubens Canizares, avisado pela Folha, foi ao local da invasão ontem no início da tarde para checar a situação e ver o que poderia ser feito. Canizares decidiu enviar ontem mesmo ofícios ao Departamento Jurídico da Prefeitura e à Promotoria de Defesa do Meio Ambiente pedindo a reintegração de posse do local. As famílias precisam ser retiradas, elas estão poluindo o ribeirão, que foi transformado num esgoto a céu aberto, disse.
O córrego, segundo a Promotoria do Meio Ambiente, está sendo poluído pela Sanepar (ver matéria neste Caderno).





