Famílias invadem área de 3 alqueires
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sábado, 07 de novembro de 1998
Luiz Carlos Dias Júnior Especial para a Folha 
Cerca de 500 pessoas ocuparam na madrugada de ontem um terreno de 3 alqueires ao lado do loteamento Adão Kaminski, em Guarapuava. A decisão de entrar na área ocorreu após uma reunião realizada entre os sem-teto que estariam cansados de morar de favores nas casas de parentes ou conhecidos. Eles dividiram a área em 120 lotes de 11 por 20 metros, demarcaram ruas e começaram a construir os barracos.
Um dos ocupantes, identificado por Marcelo, anotou o nome e o número dos lotes ocupados para encaminhar à prefeitura e conseguir o terreno em definitivo. A área, segundo um invasor, pertence ao deputado federal Fernando Ribas Carli (PPB), que teria feito uma promessa de campanha, que se fosse eleito para a Assembléia Legislativa doaria o terreno aos sem-teto.
Para Joelson Marcolino, casado, pai de três filhos, esta é uma oportunidade de conseguir um lugar para morar. Estamos dispostos a pagar pelo terreno como foi feito no loteamento Adão Kaminski. Lá as famílias pagam R$ 13,00 por mês, disse.
Até ontem à tarde, ninguém da prefeitura de Guarapuava havia aparecido no local e os ocupantes do terreno estavam recebendo assistência de vizinhos. O advogado Miguel Nicolau Júnior, que atende os interesses do deputado foi procurado pela Folha, mas não havia recebido nenhuma orientação sobre o assunto.
Reunião Durante a semana, o coordenador nacional do Projeto Casulo, Carlos Almeida, a chefe da Divisão de Assentamentos do Paraná, Sueli Pirelo, e técnicos do Incra estiveram em Guarapuava para uma reunião com as primeiras famílias assentadas pelo Projeto Municipal de Reforma Agrária, interrompido temporariamente, porque cerca de 130 famílias do MST invadiram as fazendas Guará-Fruta e Europa, envolvidas no projeto de assentamento.
As famílias não estavam dispostas a desistir das áreas. Depois, os representantes aceitaram a proposta do Incra, que destina a Fazenda Guará-Fruta ao projeto do prefeito Victor Hugo Burko (PSDB) para a reforma agrária municipalizada. A Fazenda Europa será cedida para o assentamento das famílias do MST. Até ontem, líderes do MST não haviam aceitado a proposta: querem as duas áreas.


