SOLIDARIEDADE -

Famílias indígenas pedem doações após incêndio em Londrina

Fogo que atingiu seis barracos de madeira no Centro Cultural Kaingang de Londrina deixou adultos e crianças sem móveis, utensílios, roupas e alimentos

Micaela Orikasa - Grupo Folha
Micaela Orikasa - Grupo Folha

 

Famílias indígenas pedem doações após incêndio em Londrina
Micaela Orikasa/Grupo Folha
 


Na manhã desta quinta-feira (5) ainda havia fumaça do incêndio ocorrido na noite anterior, no Centro Cultural Kaingang - Vãre, às margens da avenida Dez de Dezembro, na zona sul de Londrina.  O fogo começou por volta das 20h, quando uma família foi acender um lampião com óleo diesel. O vice-cacique Renato Kriri conta que essa é a quarta vez que um incêndio atinge os barracos de madeira.  


Ao todo, seis moradias localizadas na rua Pedro Antônio da Silva foram atingidas pelo fogo, mas não houve feridos graves. Das famílias que ocupam os barracos, apenas uma estava de passagem por Londrina, incluindo uma criança de 4 anos. Dois homens que ajudaram no resgate da criança tiveram queimaduras nas pernas. Um deles contou que se feriu ao retirar a vítima pela janela.  


Magda Rael, que está de passagem pelo Centro Vãre, informou que um dos barracos atingidos pertence ao seu primo. “Dava para ver o fogo de longe. Foi tudo muito rápido e queimou tudo o que tinha dentro. A família que estava por lá só ficou mesmo com a roupa do corpo”, disse.  


COMO AJUDAR

Quem puder ajudar as famílias com doações de roupas, utensílios e alimentos pode entrar em contato pelo telefone: (43) 9 9963-3942. Também podem ser feitas doações em dinheiro através da chave Pix 950.697.399-72.


 

Famílias indígenas pedem doações após incêndio em Londrina
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PASSAGEM

Os índios que vivem no local são caingangue e quase a totalidade pertence a aldeia Água Branca, na Reserva Apucaraninha, em Tamarana (Região Metropolitana de Londrina). Kriri explica que as famílias utilizam o espaço durante a passagem por Londrina (entre 15 a 20 dias) para a venda de artesanato e mandioca. Hoje, aproximadamente 30 famílias estão no local.  


“No momento do incêndio havia apenas uma família em casa. As demais estavam fora, mas elas possuem pertences como roupas, panelas e alguns alimentos. Também perderam tudo”, comentou Kriri, lembrando que o último incêndio no Centro Cultural foi causado por uma vela. “Esses barracos não têm energia elétrica e as famílias usam muitas velas e diesel para clarear e se aquecer também”.    


Segundo o cabo Francisco, do Corpo de Bombeiros, foram necessários oito mil litros de água para apagar o fogo.  

 

 

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NA JUSTIÇA

A permanência dos indígenas no fundo de vale, às margens do Ribeirão Cambé, vem sendo discutida há muitos anos. O espaço foi declarado como de preservação ambiental e está em litígio.  A secretária municipal de Assistência Social, Jacqueline Micali, afirmou que a ocupação no local pelas famílias caingangues é tida como irregular e a orientação é para que elas não permaneçam no local.  


“Temos um espaço oferecido a eles, mas preferem ficar lá (no Centro Cultural Vãre)”, disse. O espaço citado fica no conjunto Cafezal (zona sul) e funciona desde 2015 como uma Casa de Passagem, na Chácara San Miguel.  


Segundo Micali, a Casa está funcionando. Além desse espaço, ela explica que uma assistente social de referência faz visitas regulamente na aldeia Água Branca, em Tamarana, para acompanhamento das famílias, cadastramento do CadÚnico e entrega de cestas básicas.  


“Estamos com um trabalho juntamente com Tamarana porque toda terra indígena é arrendada para subsistência das famílias e nosso objetivo é que elas permaneçam nas aldeias. Para a família que estava no barraco, no momento do incêndio, estamos preparando toda a assistência, inclusive para levá-los à aldeia, mas a família não aceitou”, comentou. 


Pela manhã, as vítimas não estavam no Centro Cultural Vãre. Segundo Kriri, eles haviam saído em busca de doações de roupas e comida. O vice-cacique disse à FOLHA que uma reunião com o Ministério Público Federal foi realizada há cerca de dois anos sobre a permanência dos indígenas às margens da avenida Dez de Dezembro.  


“O que nos foi dito é que não haveria despejo. É um direito do índio estar nesse espaço. Temos direitos iguais. O índio não é um invasor e votamos nas eleições como qualquer outro cidadão, mas não temos a atenção e o respeito que merecemos. Não está certo o jeito que estamos vivendo aqui. É tudo improvisado”, desabafou.  

 

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O Centro Cultural Kaingang Vãre foi inaugurado pela Prefeitura Municipal em 1999 com o objetivo de oferecer melhores condições de permanência aos caingangues por ocasião de suas vindas à Londrina para a comercialização de produtos artesanais.  


Inicialmente, o local funcionou para a venda e divulgação da cultura material caingangue, mas hoje é aproveitado apenas como um ambiente para reuniões entre as famílias. “Está abandonado”, disse Kriri. 


A questão judicial sobre a ocupação do fundo de vale vem sendo acompanhada pela Sema (Secretaria Municipal de Ambiente). A reportagem fez contato com o secretário da pasta e aguarda um retorno.  (Colaborou Fernanda Circhia)


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