As famílias que invadiram o terreno do Centro de Apoio ao Paciente com Câncer (CAPC) ganharam mais tempo para desocupar a área. O presidente do CAPC, Celso Fernandes Júnior, esteve no local ontem pela manhã e acordou com os invasores a desocupação do terreno até o dia 25 de novembro. A entidade conseguiu na Justiça a reintegração de posse da área. A liminar determinando a retirada das famílias foi concedida em julho, mas ainda não foi cumprida porque a entidade busca uma solução pacífica.
O terreno de 8 mil metros quadrados localizado na Rua Hikoma Udihara, no Jardim Califórnia, na zona leste de Londrina, foi invadido em maio. Foram erguidos 66 barracos, mas, efetivamente, são 35 famílias vivendo no local de forma precária. Os outros ergueram os barracos para firmar lugar.
Pelo acordo, os sem-teto se comprometeram a liberar o terreno no prazo de 60 dias, independentemente da Prefeitura providenciar ou não outra área para o alojamento destas famílias. Eles esperam que, dentro deste prazo, a Prefeitura disponibilize um terreno na Rua Jorge Jorge Dib Abussafe, na zona leste, que estaria com débito com o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) ou uma área de 13 mil metros quadrados na zona sul que estaria destinada para construção de uma praça.

Famílias ganham prazo para desocupar terreno do CAPC
Famílias ganham prazo para desocupar terreno do CAPC Famílias ganham prazo para desocupar terreno do CAPC Famílias ganham prazo para desocupar terreno do CAPC Famílias ganham prazo para desocupar terreno do CAPC Famílias ganham prazo para desocupar terreno do CAPC Famílias ganham prazo para desocupar terreno do CAPC Famílias ganham prazo para desocupar terreno do CAPC Famílias ganham prazo para desocupar terreno do CAPC Famílias ganham prazo para desocupar terreno do CAPC


Segundo Santos, as famílias pagariam os lotes em 36 parcelas de R$ 111. "Não vamos sair daqui para voltar para as casas. Daqui vamos para outro terreno. Esperamos que o prefeito cumpra a palavra e arrume um terreno para nós", afirmou Marcos Luiz dos Santos, presidente da Associação de Moradores do Jardim Nova Conquista, que assumiu as negociações.
A maioria dos moradores da invasão morava de aluguel no bairro ou em casas de parentes. Muito nervosa, a faxineira Eliane Sampaio, de 36 anos, não escondeu a decepção com a incerteza do futuro após os 60 dias. "Agora depende do prefeito resolver o nosso problema", disse. Ela morava nos fundos do terreno da casa do irmão, no Jardim Califórnia, mas precisou sair do imóvel e sem ter para onde ir decidiu erguer um barraco no terreno invadido. No pequeno barraco, ela mora com o marido e o filho de 9 anos. O marido, que é pedreiro, está desempregado. Ela conseguiu emprego de faxineira e começa a trabalhar hoje. A situação precária do lugar agravou o problema de bronquite do filho.
O terreno foi doado pelo Lions Club para o CAPC que pretende construir a sua sede própria no local. "É difícil quando tem um movimento social requerendo moradia e outro movimento social querendo levar saúde para a população. Queremos ajudar essa população, mas não podemos parar com o nosso trabalho social", disse Júnior.

LOTEAMENTO POPULAR
Prefeitura pretende concluir dentro de 60 dias um projeto piloto de habitação de loteamentos populares para atender a zona leste. "Queremos criar uma solução habitacional na zona leste, que não tem nenhum empreendimento do Minha Casa, Minha Vida", explicou o prefeito Alexandre Kireeff. Este projeto, segundo ele, pode beneficiar as famílias que estão no terreno do CAPC, desde que estejam inscritas nos programas da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld).
A Cohab vai comercializar lotes e buscar linhas de financiamento para a infraestrutura dos loteamentos. As áreas de implantação destes empreendimentos ainda estão em avaliação, mas, segundo o presidente da Cohab, José Roberto Hoffmann, deve priorizar as áreas que já pertencem à companhia. A Cohab também está negociando com bancos de cooperativas e privados os recursos a parte de infraestrutura.
Outra proposta em estudo é a comercialização de lotes em loteamentos já implantados, que seriam destinados para casos emergenciais. Neste caso, a Prefeitura compraria os terrenos e repassaria para a Cohab em forma de aumento de capital da companhia. Essa proposta depende de projeto de lei para ser viabilizada.
A Cohab está atualizando o seu cadastro, mas Hoffmann estima que entre 50 mil e 55 mil pessoas estejam cadastradas nos programas habitacionais de Londrina.

mockup